“Eu não tenho filosofia: tenho sentidos…Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é.Mas porque a amo, e amo-a por isso,Porque quem ama nunca sabe o que amaNem por que ama, nem o que é amar…”Alberto Caeiro
“Não acredito em Deus porque nunca o vi Se ele quisesse que eu acreditasse nele, Sem dúvida que viria falar comigo E entraria pela minha porta adentro Dizendo-me, Aqui estou!”Alberto Caeiro
“Preciso despir-me do que aprendi. Desencaixotar minhas emoções verdadeiras. Desembrulhar-me e ser eu! Uma aprendizagem de desaprendizagem…”Alberto Caeiro
“NEM SEMPRE SOU IGUALNem sempre sou igual no que digo e escrevo.Mudo, mas não mudo muito.A cor das flores não é a mesma ao solDe que quando uma nuvem passaOu quando entra a noiteE as flores são cor da sombra.Mas quem olha bem vê que são as mesmas flores.Por isso quando pareço não concordar comigo,Reparem bem para mim:Se estava virado para a direita,Voltei-me agora para a esquerda,Mas sou sempre eu, assente sobre os mesmos pés -O mesmo sempre, graças ao céu e à terraE aos meus olhos e ouvidos atentosE à minha clara simplicidade de alma…”Alberto Caeiro
“Vale mais a pena ver uma cousa sempre pela primeira vez que conhecê-la, Porque conhecer é como nunca ter visto pela primeira vez, E nunca ter visto pela primeira vez é só ter ouvido contar.”Alberto Caeiro
“Os poetas místicos são filósofos doentes,E os filósofos são homens doidos.Porque os poetas místicos dizem que as flores sentemE dizem que as pedras têm almaE que os rios têm êxtases ao luar.Mas as flores, se sentissem, não eram flores,Eram gente;E se as pedras tivessem alma, eram coisas vivas, não eram pedras;E se os rios tivessem êxtases ao luar,Os rios seriam homens doentes.”Alberto Caeiro
“Metafísica? Que metafísica têm aquelas árvores?A de serem verdes e copadas e de terem ramosE a de dar fruto na sua hora, o que não nos faz pensar,A nós, que não sabemos dar por elas.Mas que melhor metafísica que a delas,Que é a de não saber para que vivemNem saber que o não sabem?”Alberto Caeiro
“Há metafísica bastante em não pensar em nada. O que penso eu do mundo? Sei lá o que penso do mundo! Se eu adoecesse pensaria nisso.”Alberto Caeiro in O Guardador de Rebanhos
“Pensar em Deus é desobedecer a Deus, Porque Deus quis que o não conhecêssemos, Por isso se nos não mostrou…”Alberto Caeiro
“(…) um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse, Que nunca é o que se vê quando se abre a janela.”Alberto Caeiro
“Não sei o que é conhecer-me. Não vejo para dentro. Não acredito que eu exista por detrás de mim.”Alberto Caeiro
“Quem está ao sol e fecha os olhos, Começa a não saber o que é sol. (…) Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos De todos os filósofos e de todos o poetas.”Alberto Caeiro
“(…) porque ser uma cousa é não significar nada. Ser uma cousa é não ser susceptível de interpretação.”Alberto Caeiro
“DA MINHA ALDEIADa minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo…Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquerPorque eu sou do tamanho do que vejoE não do tamanho da minha altura…Nas cidades a vida é mais pequenaQue aqui na minha casa no cimo deste outeiro.Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave,Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longede todo o céu,Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhosnos podem dar,E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver.”Alberto Caeiro
“QUEM ME DERAQuem me dera que a minha vida fosse um carro de boisQue vem a chiar, manhãzinha cedo, pela estrada,E que para de onde veio volta depoisQuase à noitinha pela mesma estrada.Eu não tinha que ter esperanças — tinha só que ter rodas…A minha velhice não tinha rugas nem cabelo branco…Quando eu já não servia, tiravam-me as rodasE eu ficava virado e partido no fundo de um barranco.”Alberto Caeiro