Citações

Esta frase aguardando revisão.

“Esperar que Políticos-Influencers botem a mão na massa é tão incoerente quanto esperar que algoritmos ignorem ruídos.

Vivemos um tempo em que a “performance” vale muito mais do que a prática. 

O discurso bem editado, o vídeo estrategicamente roteirizado e a indignação ensaiada rendem mais engajamento do que qualquer trabalho silencioso, técnico e persistente. 

O palco recompensa quem fala; raramente quem faz. 

E há quem ainda se surpreenda quando descobre que o espetáculo não constrói pontes, não asfalta ruas, não reforma escolas, não constrói hospitais — apenas acumula visualizações.

Políticos que se comportam como influencers aprendem rápido a lógica da vitrine: presença constante, frases de efeito, antagonismos calculados. 

“Botar a mão na massa” exige outra disposição — menos câmera, mais compromisso; menos aplauso imediato, mais resultado demorado. 

Exige aceitar que transformação real quase nunca viraliza.

Do outro lado, os algoritmos. 

Eles não distinguem verdade de ruído moral; distinguem interação. 

Amplificam o que provoca reação, não necessariamente o que produz solução. 

Esperar que ignorem o barulho é desconhecer sua natureza. 

Eles foram feitos para captar movimentos — e ruído é o maior deles.

O problema começa quando confundimos alcance com competência e engajamento com entrega. 

Quando acreditamos que quem domina a narrativa domina também a realidade. 

Não é incoerência apenas esperar ação de quem vive de exposição; é ingenuidade estrutural.

Talvez a maturidade política do nosso tempo passe por reaprender a valorizar o invisível: o gestor que trabalha mais do que posta, o servidor que executa mais do que promete, o cidadão que cobra resultado em vez de compartilhar espetáculo.

Porque, enquanto aguardamos que influencers governem e que algoritmos sejam neutros, seguimos terceirizando nossa criticidade. 

E nada faz mais ruído do que uma sociedade que prefere o eco à obra.”

Esta frase aguardando revisão.

“Para as Almas Abençoadas que se despertam dispostas a aprender todos os dias, até o Encardido tem ensinamentos.

Inicialmente parece um baita despropósito, e antes fosse…

Mas definitivamente não é.

O Encardido sabe que não tem salvação nem morte que o espere, e mesmo assim faz as suas tentações todo santo dia, como se fosse o último.

Quantos de nós, cheios de Vida Eterna para vivermos, medimos esforços todo santo dia?

É curioso — e até muito desconcertante — perceber que aquele que já perdeu tudo, ainda assim, não perde o ímpeto.

Ele insiste.

Persiste.

Não por esperança, mas por natureza.

Nem por fé, mas por constância.

Há nisso uma disciplina ligeiramente sombria que, se olhada sem o véu do orgulho, sem a santidade fabricada, revela-nos um espelho absurdamente incômodo.

Porque nós, que ainda temos escolha, que ainda temos tempo, que ainda temos propósito, tantas vezes nos damos ao luxo da inércia.

Adiamos o bem que sabemos fazer, protelamos a transformação que sentimos necessária, e negociamos com a própria consciência como se o amanhã fosse uma garantia — e não apenas uma possibilidade.

O Encardido não espera o momento ideal.

Ele age.

Não escolhe o dia perfeito.

Ele insiste.

E talvez seja aí que reside a provocação mais profunda: não naquilo que ele é, mas naquilo que nós deixamos de ser.

Se até quem está perdido mantém sua constância no erro, o que dizer de nós, que ainda podemos escolher o acerto?

Se até ele se levanta todos os dias para cumprir o que acredita ser sua missão, por que nós hesitamos tanto em cumprir a nossa?

A verdade é que não nos falta luz — falta-nos Decisão.

Não nos falta Caminho — falta-nos passos.

Nem nos falta Propósito — falta-nos Entrega.

Aprender com o que é torto não é se contaminar, é reconhecer que até na escuridão há lições sobre movimento, sobre foco e sobre continuidade.

E, sobretudo, é lembrar que, ao contrário dele, nós ainda podemos escolher a Direção.

Que a nossa constância não seja menor que a dele — mas que seja infinitamente mais Luminosa.

Despertemos — Despertai-vos!

Buscai as Coisas do Alto!”

O Diabo já me atentou tanto, que sem querer, ele acabou me mostrando foi o Caminho do Céu.

Esta frase aguardando revisão.

“Não bastasse a justiça brasileira fazer tanta cerimônia para se amostrar, só para o povo acreditar que ela ainda existe, ainda incita o justiçamento.

Há algo de profundamente contraditório quando a instituição que deveria ser o último refúgio da razão se transforma, aos olhos do povo, em um palco de encenações. 

A liturgia excessiva, os ritos intermináveis e os discursos rebuscados parecem, muitas vezes, menos comprometidos com a justiça em si e mais com a manutenção de sua aparência. 

E quando a forma passa a valer mais que o conteúdo, abre-se um vazio extremamente perigoso — aquele onde a confiança deixa de habitar.

Nesse vazio, cresce a sensação de abandono. 

O cidadão comum, cansado de esperar por decisões que nunca chegam ou que chegam tarde demais, começa a flertar com soluções imediatas, ainda que brutais. 

Não por vocação à violência, mas por desespero diante da ausência de respostas justas. 

E é nesse ponto que o risco se torna ainda maior: quando a justiça institucional, ao falhar em ser justa, acaba, ainda que indiretamente, legitimando a injustiça praticada pelas próprias mãos.

O justiçamento não nasce do nada. 

Ele é fruto de um terreno onde a impunidade é percebida como regra e a lei como um privilégio seletivo. 

Quando o povo deixa de acreditar na justiça, não é apenas a credibilidade de um sistema que se perde — é o próprio pacto social que começa a ruir. 

Afinal, se cada um passa a ser juiz, júri e executor, o que resta da convivência civilizada?

Talvez o maior desafio não seja apenas fazer justiça, mas fazê-la de forma visível, compreensível e, sobretudo, confiável. 

Porque a justiça que precisa se provar o tempo todo, talvez já tenha, em algum momento, deixado de ser reconhecida como tal.

E quando a justiça precisa gritar para ser notada, é possível que o silêncio da sua ausência já esteja ecoando há muito mais tempo.”

Esta frase aguardando revisão.

“Talvez a justiça se reinventasse, se conseguíssemos eliminar o maior sustentáculo dos criminosos e corruptos: o jeitinho brasileiro.

Não aquele “jeitinho” romantizado das pequenas adaptações do cotidiano, mas a cultura silenciosa que normaliza atalhos, flexibiliza princípios e transforma conveniência em regra. 

É muito curioso como muitos dos que clamam por punições mais severas — redução da maioridade, prisão perpétua e até pena de morte — convivem, sem incômodo, com práticas que alimentam exatamente o sistema que dizem condenar.

Vivemos uma contradição descaradamente confortável. 

Indignamo-nos com a corrupção nos grandes palcos, mas toleramos — e por vezes praticamos — pequenas corrupções privadas: furar filas, subornar regras, justificar vantagens indevidas, fechar os olhos quando nos convém. 

Criamos, assim, um terreno fértil onde a ética deixa de ser um valor e passa a ser uma escolha situacional.

O problema é que o crime muito raramente nasce grande. 

Ele se constrói na permissividade, cresce na conivência e se fortalece na impunidade cotidiana. 

O medonho “jeitinho brasileiro” não é apenas um traço cultural inofensivo; em sua face mais nociva, é o elo invisível entre o cidadão comum e as estruturas que sustentam a desigualdade e a injustiça.

Enquanto exigimos rigor do sistema, seguimos flexíveis conosco. 

Queremos leis duras, desde que não nos endureçam. 

Desejamos justiça exemplar, desde que não nos alcance. 

Mas Justiça não se sustenta apenas em códigos penais — ela se constrói, sobretudo, em consciência coletiva.

Talvez o verdadeiro ponto de ruptura não esteja em penas mais severas, mas em uma mudança mais desconfortável: abandonar privilégios disfarçados de esperteza, recusar facilidades ilícitas, assumir responsabilidade pelas pequenas escolhas diárias. 

Porque cada “jeitinho” aceito hoje é uma engrenagem a mais funcionando no mecanismo que amanhã iremos condenar.

No fim, a justiça que tanto reivindicamos começa no território mais negligenciado de todos: nós mesmos.”

Esta frase aguardando revisão.

“Quem diz defender a Liberdade, mas relativiza Direitos, só consegue dizer que a Liberdade não é um Direito de Todos.

A palavra “liberdade” tem sido repetida à exaustão em discursos inflamados, slogans sedutores e promessas simplificadas. 

Mas, quanto mais ela é invocada, mais parece perder densidade. 

Afinal, de que liberdade estamos falando tanto? 

Da liberdade concreta, que se materializa na vida das pessoas, ou de uma abstração conveniente que ignora as condições reais de existência?

Não há liberdade onde direitos são tratados como obstáculos. 

Quando direitos trabalhistas são vistos como entraves ao progresso, o que se revela não é uma defesa genuína da liberdade, mas uma escolha: a de privilegiar a liberdade de alguns em detrimento da segurança e dignidade de muitos. 

A liberdade, quando desvinculada de direitos, torna-se um privilégio — e privilégio, por definição, não é universal.

A história mostra que direitos não surgem espontaneamente. 

Eles são fruto de lutas, de enfrentamentos e de consensos construídos com dificuldade. 

Reduzi-los a “excessos” ou “amarras” é desconsiderar o custo humano que permitiu que existissem. 

É também ignorar que, sem esses marcos, a liberdade tende a se concentrar nas mãos de quem já detém poder.

Há uma contradição muito evidente em quem clama por liberdade enquanto relativiza direitos fundamentais. 

Porque direitos não limitam a liberdade — eles a tornam possível. 

São o chão mínimo que impede que a liberdade de uns se transforme na opressão de outros. 

Sem esse equilíbrio, a liberdade deixa de ser um valor coletivo e passa a ser uma ferramenta de exclusão.

Defender a liberdade, portanto, exige mais do que palavras de efeito. 

Exige compromisso com a igualdade de condições, com a proteção dos mais vulneráveis e com a garantia de que ninguém ficará à margem. 

Liberdade que não alcança a todos não é liberdade: é apenas um discurso conveniente.

E talvez a pergunta que reste seja bastante incômoda, mas necessária: quem realmente se beneficia quando direitos são relativizados a pretexto da liberdade?”

Esta frase aguardando revisão.

“Se Deus abominasse os Pecadores e não o Pecado, certamente não haveria Arrependimento passível de Perdão.

Pode parecer uma inversão sutil, mas profunda o bastante para revelar o quanto a esperança humana estaria condenada desde o princípio.

Se o erro definisse o ser, e não apenas o seu agir, então cada falha seria uma sentença definitiva, cada queda um veredito irreversível.

Não haveria espaço para recomeços, nem sentido em reconhecer a própria culpa, pois o arrependimento não encontraria eco — apenas rejeição.

Mas há algo de profundamente restaurador na ideia de que o pecado é reprovado, não o pecador.

Isso separa o erro da essência, a falha da identidade.

Permite que o ser humano, mesmo em sua imperfeição, não seja reduzido ao pior de si.

É essa distinção que sustenta a possibilidade de transformação — não como um apagamento do passado, mas como um ressignificar do presente.

Arrepender-se, então, deixa de ser um ato de desespero e passa a ser um movimento de retorno.

Um reconhecimento de que, apesar das escolhas equivocadas, ainda há um caminho de volta.

E que — o Céu é uma escolha possível!

E o perdão, longe de ser uma absolvição barata, torna-se um convite à mudança genuína, à reconstrução interior.

Talvez o maior perigo esteja justamente em fazer o oposto: quando nós, humanos, passamos a condenar, a desumanizar pessoas em vez de atitudes.

Quando rotulamos, descartamos e definimos o outro por seus erros, nos colocamos na contramão daquilo que dizemos acreditar.

Criamos um mundo onde ninguém pode mudar, porque ninguém é visto além da própria falha.

No fim, a possibilidade do Perdão não revela apenas algo sobre o Divino, mas expõe também um desafio profundamente humano: aprender a olhar para si e para o outro com a mesma medida de Misericórdia que tanto desejamos receber.”

Esta frase aguardando revisão.

“Normalmente, quando a Crítica ou Julgamento é de Mulher para Mulher, só consigo ver Duas Vítimas.

Há, nesse tipo de embate, uma dor tão silenciosa que muito raramente alguém sabe — ou se atreve a — nomeá-la.

Não se trata apenas de um conflito entre indivíduos do mesmo gênero, mas de um reflexo profundo de estruturas que atravessam gerações. 

Quando uma mulher critica ou julga a outra, com ou sem dureza, muitas vezes não está exercendo poder — está reproduzindo um sistema que, historicamente, a ensinou a competir, a vigiar, a se moldar e a sobreviver dentro de limites mais estreitos.

O machismo não se sustenta apenas pela imposição direta, mas também pela internalização. 

Ele se infiltra nos gestos cotidianos, nas expectativas sobre o corpo, o comportamento, a maternidade, a carreira, a sexualidade…

E, quando não é questionado, passa a ser replicado até por quem também sofre seus medonhos efeitos. 

É assim que a opressão se disfarça de opinião, de conselho e de “preocupação”.

Isso não significa ignorar responsabilidades individuais, mas compreender que nenhuma mulher nasce julgando outra com base em padrões opressivos — isso é aprendido. 

E, como tudo que é aprendido, também pode ser desaprendido.

Por isso, talvez o primeiro passo não seja reagir com mais julgamento, mas com consciência. 

Perguntar de onde vem esse olhar, quem ele beneficia e quem ele fere. 

Reconhecer que, ao invés de rivais, mulheres compartilham experiências atravessadas por desigualdades comuns, ainda que vividas de formas diferentes.

Romper com esse ciclo exige muita coragem. 

Exige desconforto.

E exige, sobretudo, a disposição de substituir a crítica automática pela escuta, a comparação pela empatia, e o julgamento pela construção coletiva.

Porque, no fim, quando uma mulher tenta diminuir a outra para caber em padrões que nunca foram feitos para nenhuma delas, o sistema vence — e ambas perdem.

Mas quando há reconhecimento, acolhimento e consciência, algo se transforma. 

E talvez seja aí que a luta contra o Machismo Estrutural deixe de ser apenas árdua e comece, de fato, a ser libertadora.”

Esta frase aguardando revisão.

“Se os Juízes de Poltrona soubessem que a justiça que tentam impor alisando telas só os torna dignos de pena, os Tribunais do Espetáculo jamais subsistiriam.

Mas talvez o problema não seja a ignorância sobre si mesmos — e sim o conforto que encontram nela. 

Julgar à distância oferece a ilusão de poder sem o peso da responsabilidade. 

Ali, atrás de uma tela, cada sentença é rápida, cada condenação é limpa, cada narrativa cabe em poucas linhas. 

Não há contradições, não há contexto suficiente para atrapalhar a certeza. 

E, sobretudo, não há consequências reais para quem acusa.

O espetáculo precisa dessa simplificação. 

Ele se alimenta da pressa, da emoção crua, da necessidade humana de pertencer a um lado. 

Nos tribunais improvisados do cotidiano digital, a dúvida é vista como fraqueza, a ponderação como cumplicidade. 

Assim, constrói-se uma justiça que não busca compreender, apenas confirmar o que já se quer acreditar.

Há, no entanto, uma ironia silenciosa nisso tudo: ao reduzir o outro a um rótulo, o juiz de poltrona também se reduz. 

Abdica da complexidade que o constitui, troca a reflexão pela reação, e passa a existir num mundo onde tudo é evidente demais para ser verdadeiro. 

E nesse processo, perde algo essencial — a capacidade de enxergar o humano para além do erro, da falha, da manchete.

Talvez os Tribunais do Espetáculo persistam justamente porque oferecem respostas fáceis a perguntas difíceis. 

Eles não exigem escuta, apenas eco. 

Não pedem responsabilidade, apenas adesão. 

E assim seguem, alimentados por uma multidão que prefere a sensação de estar certa ao desafio de, de fato, compreender.

No fim, o que se vê não é justiça — é encenação. 

E toda encenação, por mais convincente que pareça, sempre depende de um público disposto a acreditar nela.”

Esta frase aguardando revisão.

“Depois que meus pais se foram, já aconteceu tanta coisa que me oportunizou louvar a Deus pela partida deles…

O mundo se abarrotar de santos se apoderando da verdade é uma delas. 

Gente que não viveu o silêncio das perdas profundas, mas que fala como se tivesse atravessado todos os desertos da alma. 

Há uma pressa em se declarar dono da razão, como se a dor não ensinasse justamente o contrário: que quase nada nos pertence, nem mesmo nossas certezas.

Quando meus pais partiram, eu imaginei que o vazio seria definitivo. 

Que a ausência deles abriria um buraco impossível de contornar. 

Mas o tempo — esse mestre paciente e muitas vezes incompreendido — começou a revelar algo incômodo e, ao mesmo tempo, libertador: a vida não pede permissão para seguir. 

Ela continua, com ou sem a nossa concordância.

E é nesse seguir que a gente aprende. 

Aprende que o amor não termina com a morte, apenas muda de forma. 

Aprende que a saudade não é um peso a ser descartado, mas uma presença que nos molda. 

Aprende, sobretudo, que a verdade não grita — ela sussurra, quase sempre nos momentos em que estamos mais vulneráveis.

Talvez por isso me cause estranheza ver tantas vozes cheias de convicção, tão seguras de si, tão rápidas em julgar, tão prontas para ensinar. 

Porque quem já perdeu muito sabe: a vida não é um palco para certezas absolutas, mas um caminho de constantes revisões.

Hoje, ao olhar para trás, eu percebo que a partida dos meus pais me arrancou ilusões que talvez eu nunca tivesse coragem de abandonar sozinho. 

E, paradoxalmente, foi nesse arrancar que encontrei uma forma mais honesta de fé — menos barulhenta, menos exibida, mais íntima.

Louvar a Deus, então, deixou de ser apenas agradecer pelo que eu compreendo. 

Passou a ser também confiar no que eu jamais entenderei por completo.

E talvez seja isso que falte a esse mundo cheio de “donos da verdade”: a experiência de reconhecer que há perdas que não se explicam, apenas se atravessam — e que, ao atravessá-las, a gente não sai maior nem menor, sai mais humano.”

Félix Lope de Vega photo

“A harmonia é puro amor, pois amor é total concordância.”

Félix Lope de Vega (1562–1635)

Armonia es puro amor, porque el amor es concierto.
Comedias escogidas de frey Lope Félix de Vega Carpio juntas en ..., Volume 3‎ - Página 635 http://books.google.com.br/books?id=359BAAAAYAAJ&pg=RA1-PA635, Lope de Vega, Juan Eugenio Hartzenbusch, Juan Pérez de Montalván, Adolfo de Castro, Antonio Gil y Zárate - 1857

Paolo Di Canio photo

“Sou fascista, mas não racista. Faço a saudação romana (fascista) para saudar os meus torcedores e os que compartilham minhas idéias. O braço estendido não significa uma incitação à violência e ainda menos ódio racial.”

Paolo Di Canio (1968) futebolista italiano

Di Canio à agência italiana Ansa, em dezembro de 2005. O capitão da Lazio, 39 anos, foi suspenso na segunda-feira por uma rodada do campeonato italiano porque no dia 19 de dezembro durante a partida contra o Juventus, como já tinha feito oito dias antes contra o Livorno; citado em Uol Noticias http://noticias.uol.com.br/ultnot/2005/12/23/ult33u50265.jhtm, 23/12/2005.

Gerson De Rodrigues photo

“Poema – Sloniec

Nas auroras do tempo
muito antes dos homens
caminharem pela terra

Um arcanjo que odiava
todos os deuses
batia as suas asas na mais ríspida solidão

Certa vez,
enquanto vagava pelo universo
escutou os lamentos de um anjo;

Sloniec chorava,
e as suas lágrimas partiram
o seu coração

Aquele arcanjo de asas negras
que viveu toda a sua vida
atormentado pelas suas angustias

Comoveu-se com as lágrimas
daquele anjo

E ao perguntar porque
ela estava chorando

O anjo respondeu que havia
cometido o maior de todos os pecados

Ela havia se apaixonado pelo Arcanjo
enquanto observava ele vagando
em sua própria solidão

Assustado com o Amor
que nunca havia sentido

O Arcanjo bateu as suas asas
e isolou-se nos confins
de um buraco negro

Devido ao pecado de Amar
os deuses baniram a alma
daquele anjo
no corpo de uma criança humana

O Arcanjo enfurecido,
se rebelou
contra os deuses

E com as suas próprias mãos
derrubou os portões dos céus

Enforcando todos os deuses e arcanjos
em suas próprias tripas
fazendo das suas vísceras
poesias de sangue

E como um último ato
enquanto chorava olhando
as estrelas

Baniu a si mesmo
para o reino dos homens

Reencarnando
em um jovem Poeta;

Ele havia crescido sem lembrar
do seu passado

Mas durante toda a sua vida
afogava-se em lágrimas
que ele nunca soube
de onde vinham

Sloniec era a mais bela
humana que já havia caminhado pela terra
o seu sorriso era como a Lua e as Estrelas
lábios que nos beijam e nos levam a loucura

Mas o seu coração era triste
e o suicídio vagava ao seu lado;

Enquanto planejava se enforcar
em uma destas noites solitárias

O jovem poeta foi atraído
pela mais bela das sinfonias

Uma voz tão doce
que fariam flores nascer
em um coração suicida

Sem compreender
aquele nefasto sentimento
o jovem poeta jurou pelos deuses
que havia matado

Que iria amar e proteger
aquela garota
que fez suas asas
crescerem novamente…

- Gerson De Rodrigues”

Gerson De Rodrigues (1995) poeta, escritor e anarquista Brasileiro

Niilismo Morte Deus Existencialismo Vida Nietzsche

Gerson De Rodrigues photo

“Poema – Sodoma

No esgoto dos ratos
Os suicidas trepam com as baratas
Para esquecer o seu medo da morte

Enquanto aqueles que já se mataram
Participam de orgias com a mãe de cristo
Em busca de salvação
Da condenação divina;

Há uma jovem neste exato momento
Que teve o seu coração partido

Ela jura que a arma na gaveta do seu pai
Pode solucionar todos os seus problemas

Enquanto o seu vizinho ao lado
Chora todas as manhãs

Com uma única chance
De faze-la sorrir

O quão irônica é a vida?
Enquanto padres estupram crianças

Mães rezam para que cristo as protejam
Do homem que as violentam todos os dias

Como uma sinfonia composta por
Beethoven e apreciada pelo Diabo
A vida e a morte caminham de mãos dadas

Enquanto nós meros mortais
Clamamos por um abraço daqueles
Que nos apunhalaram pelas costas

Um homem de sessenta anos
Teve o seu coração partido
Mais vezes do que todos os seus filhos

Hoje ele chora sozinho em sua sala de estar
Se perguntando por que não teve coragem
De se matar aos dezesseis anos

Talvez porque a dor em seu coração
Não fosse tão forte
Quanto a sua vontade de viver mais um dia?

Vivemos vidas miseráveis
Enquanto nos perdemos em ambições
De uma vida feliz e um amor sincero

Existe um boato no inferno
Que todas as almas felizes são condenadas
Ao abismo da melancolia

Enquanto aqueles que sofreram em vida
São abraçados pelo acalanto amor
De um anjo apaixonado

Mas todos nós sabemos que
Os contos bíblicos são mentiras

Contadas por homens que queimavam
Mulheres inocentes
Em fogueiras de pura covardia e terror

Blasfêmias ofendem mais
Do que crianças morrendo de fome

Ou adolescentes cortando seus pulsos
Enquanto seus pais dizem que o sangue
Que escorre pelas suas veias
É pura frescura

Uma mulher inocente
Foi estuprada por um monstro imundo

Ela se enforca se sentindo culpada
E o crápula é aplaudido pelos vermes
Que chamam de amigos

Vivemos em uma sociedade doente
E o suicídio para alguns é o remédio
Menos doloroso…
- Gerson De Rodrigues”

Gerson De Rodrigues (1995) poeta, escritor e anarquista Brasileiro

Niilismo Morte Deus Existencialismo Vida Nietzsche

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“Poema - Haraquiri

Quantas noites
sem dormir são necessárias
para se matar um homem
que se abdicou da sua própria vida?

Se enxergastes
as feridas contidas na minha alma
chorarias por toda a eternidade

Tampouco suportarias
uma única noite acordado

Sem imaginar as suas tripas
espalhadas por toda a casa

Se a morte
se apaixonasse pela vida
a grande tragédia
seria a de sepultá-la todas as manhãs

- Não tens sonhos?
me perguntas espantado

Possuo os mais terríveis dos pesadelos
e em todos eles eu sou um homem morto

Que sorri para a vida
como um sátiro

Segurando o corpo
moribundo de cristo
em um altar de descrenças

- Não acreditas nos deuses?
continuas gritando em busca
da minha salvação

Os deuses?
tampouco me importa a metafisica
ou a sublime razão das ciências

Do que adiantas!?
para um homem morto
a paixão dos falsos deuses
ou as razões de um intelecto falho

- Busque o amor
apaixone-se pela vida

Continuas esperneando
em uma tentativa falha de salvar a minha alma

O Amor?
do que me serves a paixão?
se eu não posso sentir

Em meu coração
nasceram cobras e baratas

Nas minhas entranhas vivem
os vestígios da morte
e os sonhos da vida

- Cale-se!
este Niilismo não o levara
a lugar nenhum!

Gritas tu enfurecido
com ódio dos antigos filósofos

O Niilismo?
abdiquei-me da Filosofia!

Afastem para longe de mim
os pensamentos dos homens

As minhas dores
não podem ser descritas
em meras palavras
o que eu sinto transcende o Niilismo

Eu sou o messias
do meu próprio testamento
morto na minha própria cruz
mas sem os seguidores de jesus

Porque não há nada
que eu possa ensinar aos homens
que as baratas já não tenham feito em meu lugar

- Então mate-se de uma vez!
gritas já sem esperança

Do que me serves o suicídio?
se eu nunca fui capaz de amar…

O Vazio na minha alma
é tão profundo
que o ato de me suicidar
torna-se insignificante

Alma!?
tampouco sei se a tenho

E se a tivesse
venderias ao Diabo
como sinal de sacrifício!

Não me interessam os devaneios dos homens
ou a paixões dos deuses

Interessa-me apenas a morte
e o fim de todas as coisas!

- Gerson De Rodrigues”

Gerson De Rodrigues (1995) poeta, escritor e anarquista Brasileiro

Niilismo Morte Deus Existencialismo Vida Nietzsche

Henri Bergson photo

“Se a realidade viesse atingir diretamente nossos sentidos e nossa consciência, se pudéssemos entrar em comunicação imediata com as coisas e com nós mesmos, estou certo de que a arte seria inútil, ou antes, que seríamos todos artistas, porque nossa alma vibraria então continuamente em uníssono com a natureza. Nossos olhos, ajudados pela
memória, recortariam no espaço e fixariam no tempo quadros inimitáveis. Nosso olhar captaria de passagem, esculpidos no mármore vivo do corpo humano, fragmentos de estátua tão belos como os da estatuária antiga. Ouviríamos cantar no fundo de nossas almas, como música por vezes alegre, o mais das vezes lamentosa, sempre original, a melodia ininterrupta de nossa vida interior. Tudo isso está em torno de nós, tudo isso está em nós, e no entanto nada de tudo isso é percebido por nós distintamente. Entre a natureza e nós, apenas? Entre nós e nossa própria consciência um véu se interpõe, espesso para o comum dos homens, leve e quase transparente para o artista e o poeta. Que fada teceu esse véu? Terá sido por malícia ou amizade? Impunha-se viver, e a vida exige que apreendamos as coisas na relação que elas mantêm com nossas necessidades. Viver consiste em agir. Viver é aceitar dos objetos só a impressão útil para a eles reagir de modo adequado: as demais impressões devem se obscurecer ou só nos chegarem confusamente. Enxergo o que creio ver, escuto o que creio ouvir, analiso-me e creio ler no fundo do meu peito. Mas o que vejo e o que ouço do mundo exterior é simplesmente o que meus sentidos extraem dele para esclarecer minha conduta; o que conheço de mim mesmo é o que aflora à superfície, o que toma parte na ação. Meus sentidos e minha consciência só me proporcionam da realidade uma simplificação prática. Na visão que me dão das coisas e de mim mesmo, as diferenças inúteis ao homem são apagadas, as semelhanças úteis ao homem são acentuadas, as vias me são traçadas de antemão por onde minha ação enveredará. Essas são as mesmas pelas quais toda a humanidade passou antes de mim. As coisas foram classificadas com vistas à vantagem que poderei tirar delas. E é essa classificação que percebo, muito mais que a cor e a forma das coisas.”

Laughter: An Essay on the Meaning of the Comic

Mario Vargas Llosa photo

“Mas don Rigoberto sabia que não havia outro remédio, tinha que se resignar e esperar. Provavelmente as únicas brigas do casal ao longo de todos os anos que estavam juntos foram causadas pelos atrasos de Lucrecia sempre que iam sair, para onde fosse, um cinema, um jantar, uma exposição, fazer compras, uma operação bancária, uma viagem. No começo, quando começaram a morar juntos, recém-casados, ele pensava que sua mulher demorava por mera inapetência e desprezo pela pontualidade. Tiveram discussões, desavenças, brigas por causa disso. Pouco a pouco, do Rigoberto, observando-a, refletindo, entendeu que esses atrasos da esposa na hora de sair para qualquer compromisso não eram uma coisa superficial, um desleixo de mulher orgulhosa. Obedeciam a algo mais profundo, um estado ontológico da alma, porque, sem que ela tivesse consciência do que lhe ocorria, toda vez que precisava sair de algum lugar, da sua própria casa, a de uma amiga que estava visitando, o restaurante onde acabara de jantar, era dominada por uma inquietação recôndita, uma insegurança, um medo obscuro, primitivo, de ter que ir embora, sair dali, mudar de lugar, e então inventava todo tipo de pretextos - pegar um lenço, trocar a bolsa, procurar as chaves, verificar se as janelas estavam bem fechadas, a televisão desligada, se o fogão não estava acesso ou o telefone fora do gancho -, qualquer coisa que atrasasse por alguns minutos ou segundos a pavorosa ação de partir.
Ela sempre foi assim? Quando era pequena também? Não se atreveu a perguntar. Mas já havia constatado que, com o passar dos anos, esse prurido, mania ou fatalidade se acentuava, a tal ponto que Rigoberto às vezes pensava, com um calafrio, que talvez chegasse o dia que Lucrecia, com a mesma benignidade do personagem de Melville, ia contrair a letargia ou indolência metafísica de Bartleby e decidir não mais sair da sua casa, quem sabe do seu quarto e até da sua cama. "Medo de abandonar o ser, de perder o ser, de ficar sem seu ser", pensou mais uma vez. Era o diagnóstico que havia chegado em relação aos atrasos da esposa.”

El héroe discreto

Mario Benedetti photo

“Nos escritórios não existem amigos; existem sujeitos que a gente vê todos os dias, que se enfurecem juntos ou separados, fazem piadas e se divertem com elas, que trocam suas queixas e se transmitem seus rancores, que reclamam da Diretoria em geral e adulam cada diretor em particular. Isto se chama convivência, mas só por miragem a convivência pode chegar a parecer-se com a amizade. Em tantos anos de escritórios, confesso que Avellaneda é meu primeiro afeto verdadeiro. O resto traz a desvantagem da relação não escolhida, do vínculo imposto pelas circunstâncias. O que eu tenho em comum com Muñoz, com Méndez, com Robledo? No entanto, às vezes rimos juntos, tomamos um trago, tratamo-nos com simpatia. No fundo, cada um é um desconhecido para os outros, porque neste tipo de relação superficial fala-se de muitas coisas, mas nunca das vitais, nunca das verdadeiramente importantes e decisivas. Creio que o trabalho é que impede outro tipo de confiança: o trabalho, essa espécie de constante martelar, ou de morfina, ou de gás tóxico. Algumas vezes, um deles (Muñoz, especialmente) se aproximou de mim para iniciar uma conversa realmente comunicativa. Começou a falar, começou a delinear com franqueza seu auto-retrato, começou a sintetizar os termos do seu drama, desse módico, estacionado, desconcertante drama que intoxica a vida de cada um, por mais homem médio que se sinta. Mas há sempre alguém chamando lá no balcão. Durante meia hora, ele tem de explicar a um cliente inadimplente a inconveniência e o castigo da mora, discute, grita um pouco, seguramente se sente envilecido. Quando volta à minha mesa, olha para mim e não diz nada. Faz o esforço muscular correspondente ao sorriso, mas suas comissuras se dobram para baixo. Então, pega uma planilha velha, amassa-a no punho, consciensiosamente, e depois a joga na cesta de papéis. É um simples substituitivo; o que não serve mais, o que ele atira na cesta do lixo, é a confidência. Sim, o trabalho amordaça a confiança.”

La tregua

Gerson De Rodrigues photo

“Poema – Sodoma

No esgoto dos ratos
Os suicidas trepam com as baratas
Para esquecer o seu medo da morte

Enquanto aqueles que já se mataram
Participam de orgias com a mãe de cristo
Em busca de salvação
Da condenação divina;

Há uma jovem neste exato momento
Que teve o seu coração partido

Ela jura que a arma na gaveta do seu pai
Pode solucionar todos os seus problemas

Enquanto o seu vizinho ao lado
Chora todas as manhãs

Com uma única chance
De faze-la sorrir

O quão irônica é a vida?
Enquanto padres estupram crianças

Mães rezam para que cristo as protejam
Do homem que as violentam todos os dias

Como uma sinfonia composta por
Beethoven e apreciada pelo Diabo
A vida e a morte caminham de mãos dadas

Enquanto nós meros mortais
Clamamos por um abraço daqueles
Que nos apunhalaram pelas costas

Um homem de sessenta anos
Teve o seu coração partido
Mais vezes do que todos os seus filhos

Hoje ele chora sozinho em sua sala de estar
Se perguntando por que não teve coragem
De se matar aos dezesseis anos

Talvez porque a dor em seu coração
Não fosse tão forte
Quanto a sua vontade de viver mais um dia?

Vivemos vidas miseráveis
Enquanto nos perdemos em ambições
De uma vida feliz e um amor sincero

Existe um boato no inferno
Que todas as almas felizes são condenadas
Ao abismo da melancolia

Enquanto aqueles que sofreram em vida
São abraçados pelo acalanto amor
De um anjo apaixonado

Mas todos nós sabemos que
Os contos bíblicos são mentiras

Contadas por homens que queimavam
Mulheres inocentes
Em fogueiras de pura covardia e terror

Blasfêmias ofendem mais
Do que crianças morrendo de fome

Ou adolescentes cortando seus pulsos
Enquanto seus pais dizem que o sangue
Que escorre pelas suas veias
É pura frescura

Uma mulher inocente
Foi estuprada por um monstro imundo

Ela se enforca se sentindo culpada
E o crápula é aplaudido pelos vermes
Que chamam de amigos

Vivemos em uma sociedade doente
E o suicídio para alguns é o remédio
Menos doloroso…
- Gerson De Rodrigues”

Gerson De Rodrigues (1995) poeta, escritor e anarquista Brasileiro

Fonte: Filosofia Niilismo

Esta frase aguardando revisão.

“A Polarização rachou o Brasil no meio, levando seu povo ao ápice da Efervescência Social: metade se vale da música, metade se vale do Santo Nome de Deus — e todos protestam.

Essa “coisa medonha” não apenas dividiu opiniões — ela partiu afetos, rachou mesas de família e transformou a praça pública num coro dissonante. 

O Brasil ferve, e na ebulição cada metade encontrou seu próprio idioma para gritar: uns cantam ou fingem que cantam, outros oram ou fingem que oram.

Uns erguem cartazes ao som de refrões, outros levantam as mãos clamando o Santo Nome de Deus. 

E todos protestam, embora uns nem saibam o porquê… e outros só acham que saibam.

A música vira trincheira, o louvor vira escudo. 

O palco e o púlpito disputam o mesmo espaço simbólico: o de dar sentido ao caos. 

Mas, enquanto cada lado acredita falar em nome do bem maior, o país sangra nas frestas do diálogo que não acontece. 

O grito abafou a escuta; a convicção atropelou a compaixão.

Talvez o problema já não esteja na canção nem na oração, mas na incapacidade de reconhecer que ambas nascem do mesmo desassossego. 

Às vezes há dor nos acordes e às vezes há medo e até arrogância nas preces. 

Mas também há um pouco de esperança em ambos, ainda que deformada pela raiva de não ser ouvido.

Quando a fé vira slogan e a arte vira arma, perde-se o sagrado de ambas. 

Deus não cabe na guerra palavrosa do palanque, e a música não foi feita para silenciar ninguém. 

O Brasil não precisa escolher entre cantar ou ajoelhar — precisa aprender, urgentemente, a caminhar junto.

Porque enquanto metade canta para resistir e a outra ora para vencer, o país segue dividido, protestando contra si mesmo, esquecendo que nenhuma nação se salva quando transforma sua própria alma em campo minado de batalha.

Nós contra eles não dialogam…

Não há diálogo possível entre os cheios de Certezas e os cheios de Dúvidas, ambos se demonizam…

Quando não fazem pior: se desumanizam.

Tropeçamos quase todos nos infortúnios da polarização.”

Esta frase aguardando revisão.

“Viver em sociedade exige concessões silenciosas, não guerras sonoras, a sua liberdade termina onde a minha paz começa.

A Limitação Cognitiva e a Ditadura do Volume

Talvez esperar bom gosto de quem não tem bom senso seja mais um distúrbio: pura limitação cognitiva.

Porque não se trata apenas de preferência musical, mas da incapacidade de compreender que o mundo não é uma extensão do próprio quarto ou da sala, nem um palco particular onde todos são obrigados a assistir ao mesmo espetáculo.

Não dá para esperar um bom repertório escolhido por puro capricho, antes de tudo, para invadir. 

O som que atravessa muros, janelas e a paciência alheia deixa de ser expressão cultural para se tornar imposição. 

E toda imposição é, em essência, uma forma preguiçosa de poder: a de quem não argumenta, não dialoga, apenas aumenta o volume.

É verdade que o bom gosto é muito subjetivo. 

O que agrada a uns pode ser insuportável a outros. 

Mas o desrespeito ao bem-estar alheio não é questão de opinião; é um problema concreto de convivência, de civilidade mínima, de noção básica de que o outro existe e importa. 

Confundir liberdade com licença para incomodar é um erro muito comum — e perigosamente aceito.

Mas qualquer imbecil funcional deveria ao menos perceber que, num mundo com mais de oito bilhões de pessoas, é impossível escolher vizinhos por afinidade musical ou paixão por ruídos. 

Viver em sociedade exige concessões silenciosas, não guerras sonoras.

Exige entender que o direito de fazer barulho termina exatamente onde começa o direito do outro de ter paz.

No fim, o problema não é o volume do som, o estilo musical ou a caixa potente…

É a ausência de empatia caprichosamente amplificada.

E quando o bom senso é desligado, não há playlist que salve a convivência.

Que Deus nos livre dos que confundem alegria com euforia e liberdade com licença para nos incomodar.”