Citações

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“Fácil é ser colega fazer companhia a alguém, dizer que ele deseja ouvir. Difícil é ser amigo para todas as horas e dizer sempre a verdade quando for preciso. E com confiança no que diz.”

Carlos Drummond de Andrade (1902–1987) Poeta brasileiro

citado em "Sabes, meu @mor...: romance"‎ - Página 148, Ana Paula Almeida, João Pedro Wanzeller - Dom Quixote, 2006, ISBN 9722032356, 9789722032353 - 188 páginas
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“Os participantes das redes de compartilhamento de arquivos compartilham diferentes tipos de conteúdos. Podemos dividi-los em quatro tipos.
A-Esses são aqueles que usam as redes P2P como substitutos para a compra de conteúdo. Dessa forma, quando um novo CD da Pitty é lançado, ao invés de comprar o CD, eles simplesmente o copiam. Podemos argumentar se todos os que copiaram as músicas poderiam comprá-las caso o compartilhamento não permitisse baixá-las de graça. Muitos provavelmente não poderiam, mas claramente alguns o fariam. Os últimos são os alvos da categoria A: usuários que baixam conteúdo ao invés de comprá-lo.
B-Há alguns que usam as redes de compartilhamento de arquivos para experimentarem música antes de a comprar. Dessa forma, um amigo manda para outro um MP3 de um artista do qual ele nunca ouviu falar. Esse outro amigo então compra CDs desse artistas. Isso é uma forma de publicidade direcionada, e que tem grandes chances de sucesso. Se o amigo que está recomendando a música não ganha nada recomendando porcarias, então pode-se imaginar que suas recomendações sejam realmente boas. O saldo final desse compartilhamento pode aumentar as compras de música.
C-Há muitos que usam as redes de compartilhamento de arquivos para conseguirem materiais sob copgright que não são mais vendidos ou que não podem ser comprados ou cujos custos da compra fora da Net seriam muito grandes. Esses uso da rede de compartilhamento de arquivos está entre os mais recompensadores para a maioria. Canções que eram parte de nossa infância mais que desapareceram há muito tempo atrás do mercado magicamente reaparecem na rede. (Um amigo meu me disse que quando ele descobriu o Napster, ele passou um fim de semana inteiro "relembrando" músicas antigas. Ele estava surpreso com a gama e diversidade do conteúdo disponibilizado.) Para conteúdo não vendido, isso ainda é tecnicamente uma violação de copyright, embora já que o dono do copgright não está mais vendendo esse conteúdo, o dano econômico é zero o mesmo dano que ocorre quando eu vendo minha coleção de discos de 45 RPMs dos anos 60 para um colecionador local.
D-Finalmente, há muitos que usam as redes de compartilhamento de arquivos para terem acesso a conteúdos que não estão sob copgright ou cujo dono do copyright os disponibilizou gratuitamente.
Como esses tipos diferentes de compartilhamento se equilibram?
Vamos começar de alguns pontos simples mas importantes. Do ponto de vista legal, apenas o tipo D de compartilhamento é claramente legal. Do ponto de vista econômico, apenas o tipo A de compartilhamento é claramente prejudicial. [78] O tipo B de compartilhamento é ilegal mas claramente benéfico. O tipo C também é ilegal, mas é bom para a sociedade (já que maior exposição à música é bom) e não causa danos aos artistas (já que esse trabalho já não está mais disponível). Portanto, como os tipos de compartilhamento se equilibram é uma pergunta bem difícil de responder e certamente mais difícil do que a retórica envolvida atualmente no assunto sugere.”

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“Minha irmã Roseli é surda. Ela se tornou professora e é professora até hoje. Não deixa ninguém falar que você não é capaz, que você não pode. Ninguém pode te parar. Se você tem um sonho, corre atrás. Minha irmã é uma inspiração para mim.”

Reinaldo Gottino (1977) Jornalista e apresentador brasileiro

"Quando ela estava na 3ª série, a professora chamou minha mãe e falou. Sua filha é excepcional e ela tem que estudar em uma escola para deficientes. Não, ela está indo bem. Ela tem nota para passar, ela vai continuar. Vem na minha sala, você vai estudar na minha classe, vou cuidar de você. Recentemente ela encontrou essa professora. Elas se abraçaram e são amigas até hoje".
como citado por iG São Paulo http://gente.ig.com.br/2016-02-24/reinaldo-gottino-chora-ao-falar-da-irma-no-balanco-geral-uma-inspiracao.html | 24/02/2016 10:36

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Esta frase aguardando revisão.
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“O Combate ao Machismo se torna muito mais árduo quando é preciso combatê-lo também em Mulheres.

Há constatações que incomodam porque encostam numa verdade pouco elegante. 

Esta é uma delas. 

Durante muito tempo, acostumamos a tratar o machismo como um problema exclusivamente masculino, como se ele fosse apenas uma coleção de atitudes praticadas por homens contra mulheres. 

Mas o machismo é muito mais perverso, muito mais antigo e muito mais profundo do que isso.

Ele não mora apenas em indivíduos, mora em estruturas, em costumes, em frases herdadas, em medos ensinados e em papéis distribuídos antes mesmo que alguém aprenda a escolher.

Por isso, não deveria causar espanto que muitas mulheres também reproduzam lógicas machistas. 

O sistema que oprime não pede autorização moral para se perpetuar; ele apenas se infiltra. 

Ele ensina meninas a competir entre si pela validação masculina, a desconfiar da liberdade de outras mulheres, a julgar com mais severidade aquela que rompe padrões, a naturalizar a sobrecarga, o silêncio, a culpa e a submissão como se fossem virtudes. 

O machismo, quando bem-sucedido, faz a própria vítima acreditar que está defendendo a ordem, a decência, a família ou o “certo”, quando na verdade está ajudando a manter de pé a mesma engrenagem que a diminui.

E é justamente aí que o combate se torna mais complexo. 

Porque enfrentar o machismo em homens costuma parecer, ao menos à primeira vista, um confronto mais visível: há um agressor identificável, um privilégio mais explícito, uma postura mais fácil de nomear. 

Já quando ele aparece no discurso, no comportamento ou no julgamento de mulheres, tudo ganha zonas mais cinzentas. 

Surge a tentação de relativizar, de poupar, de fingir que não é a mesma lógica em ação. 

Mas é. 

Com outra voz, às vezes com outro tom, mas é.

Isso exige uma maturidade rara: compreender que pertencer a um grupo oprimido não imuniza ninguém contra a reprodução dos desvalores do opressor. 

Sofrer uma estrutura não impede que se participe dela. 

Aliás, muitas vezes é justamente a necessidade de sobreviver dentro dela que faz com que se internalizem seus códigos. 

Não por maldade pura, nem sempre por convicção consciente, mas por adaptação. 

Há mulheres que aprenderam a condenar outras mulheres porque foram ensinadas a acreditar que este era o preço da respeitabilidade. 

Há mulheres que policiam corpos, roupas, desejos e ambições femininas porque foram treinadas para ver perigo em toda liberdade que elas mesmas não puderam viver.

Isso, porém, não deve levar à caricatura fácil nem ao cinismo barato de dizer que “as mulheres são as piores inimigas das próprias mulheres”. 

Essa frase, embora sedutora para quem quer simplificar tudo, presta um enorme favor ao próprio machismo. 

Ela desloca o centro do problema e transforma uma engrenagem estrutural em disputa pessoal. 

O foco não deve ser acusar mulheres como origem do machismo, mas reconhecer que a dominação é tão eficiente que consegue recrutar até mesmo aquelas que prejudica.

O verdadeiro enfrentamento, então, cobra muito mais do que indignação: cobra discernimento. 

É preciso denunciar sem desumanizar, corrigir sem humilhar, conscientizar sem transformar toda divergência em guerra palavrosa. 

Porque nem toda reprodução de machismo nasce da perversidade; muitas nascem da herança. 

E heranças culturais não se desmontam apenas com raiva, mas com lucidez, firmeza e trabalho paciente de revisão.

Combater o Machismo nas Mulheres é, no fundo, uma das provas mais duras de que essa luta nunca foi apenas contra homens. 

Ela é contra uma mentalidade civilizatória que organizou afetos, poderes e expectativas por séculos. 

E talvez a parte mais dolorosa dessa batalha seja admitir que o inimigo, muitas vezes, não aparece com a face clássica do dominador, mas com a familiaridade de quem aprendeu errado e, sem perceber, passou a propagar o erro adiante.

Desfazer isso dá mais trabalho porque obriga a luta a sair do conforto das caricaturas. 

Obriga a reconhecer que a mudança real não acontece apenas quando se enfrenta quem oprime de cima, mas também ao interromper a reprodução cotidiana da opressão entre iguais. 

E isso é muito mais difícil, muito mais delicado e muito mais demorado. 

Mas também é muito mais honesto. 

Porque nenhuma transformação profunda acontece de verdade enquanto se combate o machismo apenas onde ele é mais barulhento, e não também onde ele é mais íntimo.”

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