Frases de Warwick Estevam Kerr

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Warwick Estevam Kerr

Data de nascimento: 9. Setembro 1922

Warwick Estevam Kerr é um geneticista, engenheiro agrônomo, entomologista e professor brasileiro reconhecido internacionalmente.

Nascido em 1922, em Santana do Parnaíba, em São Paulo, Kerr formou-se engenheiro agrônomo – vencendo as etapas do doutoramento e da livre-docência na Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz", onde foi professor, e, por quatro meses, chefe do Departamento de Genética. E todos reconheciam que o laboratório de Genética, em Piracicaba, era "um dos mais bem montados da USP".

Como Biólogo e Geneticista, Kerr iniciou sua carreira acadêmica numa época em que houve um extraordinário desenvolvimento dessas disciplinas em São Paulo, graças à presença de eméritos cientistas, como Carlos Arnaldo Krug, Friedrich Gustav Brieger, André Dreyfus e Theodosius Dobzhansky, este considerado como um dos maiores geneticistas do século XX. Incentivado por Dobzhansky, Kerr estagiou e deu aulas em diversas universidades norte-americanas

Em 1955, Kerr foi chefe do Departamento de Biologia em Rio Claro no início da Unesp. Em 1965, assumiu a chefia do Departamento de Genética da Faculdade de Medicina da USP – Ribeirão Preto, da qual se tornou professor titular por concurso em 1971.

Warnick Kerr foi também o primeiro diretor científico da Fapesp, no início de 1962, por sugestão de Paulo Emílio Vanzolini e Crodowaldo Pavan, tendo sido nomeado pelo governador Carvalho Pinto. Pediu demissão desse cargo em 1964, um mês antes do término de seu mandato, a fim de montar o Departamento de Genética da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto. Além de contribuir decisivamente na organização dessa entidade, Kerr empenhou-se na fundação de instituições com os mesmos objetivos da Fapesp em outros estados brasileiros.

Entre 1975 e 1979, transferiu-se para Manaus para reorganizar o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, o Inpa, com forte apoio do dr. José Dion de Melo Teles, presidente do CNPq. A respeito de sua participação inicial nesse instituto, Kerr relata que, quando chegou à capital do estado do Amazonas, no Inpa trabalhavam apenas um mestre e um doutor. Quando saiu do Inpa, este contava com cinqüenta mestres e sessenta doutores, quatro cursos de pós-graduação e 233 pesquisadores. "O que fizemos", diz ele, "foi mandar para o sul ou para o exterior todo o pessoal aproveitável para fazer mestrado e doutorado. Também contratamos pessoal local ou de outras regiões, e até mesmo no exterior." Depois de aposentar-se da USP em janeiro de 1981, Kerr foi para o estado do Maranhão, onde permaneceu oito anos. Além de criar o Departamento de Biologia, foi reitor da Universidade Estadual do Maranhão. Em 1999, foi chamado de volta a Manaus para dirigir o Inpa, por mais três anos.

Presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, desempenhou essa missão de 1969 até 1973, período marcado pelas inúmeras crises entre o governo militar e a comunidade científica e universitária, o que levou a SBPC, sob a liderança de Kerr, a uma clara postura de repúdio às arbitrariedades praticadas pela ditadura. Foi preso duas vezes .

Após terminar suas atividades no Maranhão, Kerr foi convidado a continuar suas pesquisas na Universidade Federal de Uberlândia. Embora aposentado, ao completar setenta anos, em 1992, orientou alunos na pós-graduação, deu aulas de Genética dos Hymenoptera e realizou suas próprias pesquisas até o ano de 2012.

Em toda sua longa, fecunda e empolgante carreira como cientista, a vida de Warwick Estevam Kerr foi assim sintetizada num depoimento registrado pela Fapesp: "no meio acadêmico, a primeira associação que se faz ao nome de Warwick Kerr é a de um formador de grupos, de um catalisador de pessoas voltadas para o desenvolvimento científico". Além de ser membro da Academia de Ciências do Brasil, em 1990, Kerr tornou-se o primeiro brasileiro a pertencer à Academia de Ciências dos Estados Unidos.

Respeitado membro da Academia Brasileira de Ciências, Academia Norte-Americana de Ciência e Academia de Ciência do Terceiro Mundo, Warwick Kerr possui 692 trabalhos publicados.


„Sou favorável ao uso de células-tronco, especialmente com relação àquelas que vão ser destruídas. Elas não serão usadas para fazer outras pessoas, mas para salvar. Por outro lado, tenho medo, por exemplo, de uma coisa que li por esses dias: estão querendo tirar os órgãos de uma criança anencéfala. Vou dizer com franqueza: se fosse o meu filho, eu não deixaria. Podem até argumentar que uma criança anencéfala vai morrer mesmo, mas não estou preparado para tomar essa decisão.“

„O governo deveria destinar pelo menos 4% para a ciência e tecnologia, e mais ainda para a educação. Na Holanda, por exemplo, vi várias escolas primárias que tinham uma bicicleta à disposição dos alunos, que podiam nela trabalhar (aprender a consertar). Eles criam uma vantagem mecânica; nós não temos isso. Fico impressionado no Brasil com o potencial das nossas crianças. Basta constatar a habilidade que elas têm nas coisas relacionadas à informática. Entretanto, há falta de computadores para a maioria da população. Acho razoavelmente fácil promover campanhas educativas de norte a sul do país. Mas, para que isso ocorra, é preciso ter vontade política. E verbas adequadas.“

„Para um biólogo, a Amazônia é a coisa mais importante que pode acontecer. Você tem um desafio atrás do outro..“

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