“Quando a chuva para Por uma fresta nas nuvens Surge a lua cheia.”
Paulo Franchetti
“Quintal do sítio - A única forma geométrica É a linha de um varal.”
“Mesmo molhado Resplandece ao pôr-do-sol O campo de algodão.”
“Crescem mais pêlos Nas minhas orelhas - Mais um ano chega ao fim…”
“Parou de chover: No ar lavado, as árvores Parecem mais verdes.”
“Nem laranjas, nem café: Apenas canaviais Sob um céu vazio.”
“Os pássaros cantam Monotonamente - Feriado do ano-novo.”
“Trezentos quilômetros Para não vos contemplar - Mangueiras da minha infância!”
“Tardes de Cuiabá: Garças e periquitos Voando pra noroeste.”
“O bebê resmunga - Zune nas venezianas O vento do inverno.”
“Perfume de pinho - Nascem, no fumante convicto, Firmes projetos de saúde.”
“Ruído de chinelos No quintal do lado - Mas que calor…”
“A velha ponte - No pó ajuntado entre as tábuas, Brota o capim.”
“Chove de novo - As vacas e os carros Devagar, em fila indiana.”
“Ao virar a esquina, Saindo de trás do prédio - A lua cheia.”
“Entre os mugidos do gado E o cheiro de capim, Nasce a lua cheia.”
“De uma casa branca No meio da encosta da montanha Sobe um fio de fumaça.”
“A porteira bate - Do meu lado esquerdo, A lua de verão.”
“Os grilos cantam Apenas do meu lado esquerdo - Estou ficando velho.”
“Demorou este ano, Mas de repente, em toda a parte - Primavera!”