Gerson De Rodrigues: Vida
Gerson De Rodrigues é poeta, escritor e anarquista Brasileiro. Explore frases interessantes em vida.
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“Vocês não escutam os barulhos das correntes!? Não as sentem presa em seus pés!?
Gritava o homem louco em uma praça movimentada, enquanto todos riam de sua barbárie.
Ah… Os homens loucos, não seriam estes os mais sábios dentre os seus? Mas do que adianta a sapiência ou a fúnebre estupidez, quando somos apenas macacos escravos de nossa própria lucidez.
Escravos de sua própria criação, do seu próprio mecanismo. Escravos de uma dor constante, de um medo constante e uma busca pela salvação que faz com que o homem curve-se diante de si mesmo.
Pequenos tolos, pensam estar no centro do palco para brilhar, quando em uma escala cósmica nem um outro ser em nossa insignificante existência iria acreditar.
Eu sempre me pego pensando sobre a vida, enquanto me perco em reflexões filosóficas diante da vastidão do cosmos. E me embriago em questões… - Será que em algum lugar no universo existe outra civilização? Como ela vive? Seria este o caminho que percorremos, o caminho natural a todos os seres? Curvar-se diante de suas próprias correntes!? Beijar as patas imundas de porcos políticos enquanto matamo-nos uns aos outros por ideologias banais!?
Seria o homem um erro do universo?
Aqui está o homem, sentado em sua cela com as chaves nas mãos gritando por liberdade e perdão por um deus que é o resultado de sua própria criação…”
Gerson De Rodrigues
“O Filósofo & O Prisioneiro - Uma Alegoria para sabedoria da vida
Condenado a pena de morte o Filósofo sentava-se solitário em sua cela, enquanto observava o céu estrelado pela pequena janela que ali havia.
Faltando apenas algumas horas para sua execução, um outro prisioneiro é arremessado em sua cela
– Faltam-te apenas duas horas! E a morte irá beijá-lo! Gritou o guarda enquanto os enjaulava sem piedade
Após levantar-se e limpar suas roupas sujas. O prisioneiro encara aquele velho homem de barbas longas que encontrava-se ali parado, observando atentamente o céu noturno
– O Guarda disse que você só tem duas horas de vida… Como se sente?
Questionou o prisioneiro de forma tímida e preocupada, tentando puxar assunto. Enquanto isso o filósofo seguia em silencio observando o céu estrelado.
O Prisioneiro por sua vez, caminhava de um lado para o outro incansavelmente preocupado
– Para mim, imagino que faltam três ou quatro horas… Droga! Eu mal consegui realizar os meus sonhos… O que você pretende fazer nas suas duas últimas horas?
Persistia o prisioneiro em uma tentativa falha de diálogo, enquanto caminhava de um lado para o outro, preocupado e com o medo da morte começa a remover sua camiseta e amarra-la na parte mais alta da cela
– Quer saber? Pode ficar ai, fingindo que está tudo bem. Eu vou me matar, eu prefiro isso do que ser condenado a cadeira elétrica!
O Filósofo, ao escutar tais palavras sórdidas volta sua atenção a aquela pobre alma.
– Antes de prosseguir com esse ato, poderia por favor vir aqui ver algo?
Disse o filósofo em tonalidade calma e serena
O Prisioneiro indaga – Ver o que? Não há nada que possa nos salvar agora
– Eu insisto, tenho algo a mostrar-te…
O Prisioneiro então caminha até a janela
– Está vendo aquela estrela? A Mais brilhante dentre elas Disse o Filósofo apontando com os dedos para o céu estrelado
– Sim, estou sim, aquela com uma tonalidade meio azulada não é? – Ela mesmo…
O Filósofo encosta-se na parede, e com a voz calma ele diz
– Observe a atentamente, imagine que naquela estrela existe também um planeta
Um planeta tal como o nosso, com heróis e vilões, deuses e homens, sábios e tolos, o quão fascinante não seria? O Quão fascinante não seria estar observando-os agora neste momento oportuno, a algumas horas antes da nossa morte…
O Prisioneiro encantado com tais palavras, observava atentamente aquela estrela, e toda aquela euforia e preocupação que havia em sua mente aos poucos se esvai
O Filósofo então, coloca as mãos nos ombros daquela pobre alma e diz
– Essa estrela, já pode ter se apagado a muito tempo embora ainda estejamos contemplando a sua luz (…) Toda a vida que um dia viveu sobre o calor daquela estrela, hoje se encontra no mais sublime silencio da doce morte que os encontra
Tal como a nossa estrela, que é um ponto luminoso no céu noturno de alguém
Quando morrermos, a luz da nossa estrela servirá como um suspiro de esperança para homens que como nós aguardam o sublime beijo da dona morte.
O Prisioneiro com os olhos cheios de lágrimas e o coração calmo, sorri, e mesmo diante da inevitável morte encontrava-se tranquilo
– Então não temes a morte? Perguntou o Prisioneiro
O Filósofo caminha até a janela, e olhando para o céu noturno com a contemplação filosófica de que a sua morte de nada importava para o universo
Sorrindo ele responde
– A realização de que vou virar pó, paradoxalmente me tranquiliza…”
Gerson De Rodrigues
“Imaginem que um belo diabo caminhe pelo mundo dos sonhos, e em seu subconsciente enquanto dormes na mais doce das noites. Ofereceste a ti, um veneno. Um veneno capaz de apagar por inteiro, todas as suas dores e amarguras, extinguir-se por inteiro sua melancolia e a solidão, apagando por completo! A mais terrível depressão.
Pensarias – ‘’ Se este belo diabo ofereceste a mim alma errante, tamanho presente, por que não aceitar logo assim, de supetão!?’’
No entanto, o belo diabo possuiria um contrato.
Ao beberes deste veneno, condenarás também a vida de todos os seres humanos que vivem sobre a face deste planeta, todo homem, toda mulher, toda criança. Cada alma que caminha por este planeta, se encontrará morta.
Viverias na amargura pelos outros? Ou matarias a todos os homens, por um suspiro de esperança?”
Gerson De Rodrigues
“Paranoia – Metáforas sobre o absurdo de existir.
Me amaldiçoaram, jogaram-me aqui, me puniram com a existência!
Transformaram qualquer oportunidade que a mim seria concebida de ser feliz, em algo que chamam vulgarmente de ‘’vida’’
– Vida? pergunto-me, se o que chamas de vida é este mundo podre cheio de dor e sofrimento do qual somos fadados a viver. Então grito por janelas vazias, Indignado…
MATEM-ME!!!
Que direito achas que tem? Punindo-me desta maneira, escolhendo o meu vulgar futuro, ditando-me regras impostas contra a minha própria lei! O Que eres tu? Um ditador? Curvar-me perante ti não irei. Pois aquele que ousar fazer de mim um servo será considerado meu mais odioso inimigo.
Pais e Mães… Oh criaturas terríveis que nos castigaram com a maldição de existir. Deixem-nos no nada! Deixem-nos no purgatório da não existência! MAS NÃO!! Não… amaldiçoe-nos com a vida…
O Que serias de mim sem a vida? um nada digo eu, pois quero ser o nada e a mim deveria pertencer este direito, o direito de nada ser, de nada escolher, de nada pertencer e de nada a crer.
DEUS!!! Gritam os Apedeutas, DEUS!! Gritam os fiéis
Se és deus o responsável pela vida, não deveríamos nós mata-lo por vingança? Não deveríamos nós sepultá-lo em sua própria tumba de misericórdia?
Por que gritamos a deus por misericórdia e perdão? Não foi este que nos deu todo o mal que imploramos para que nos livrem? Não foi este maldito homem divino que tirou de nós o direito de não nascer, e nos obrigou a viver neste mundo cruel? Como ovelhas prontas ao abate!
Sinto-me amaldiçoado… Sinto-me doente…
E a cura está em mim mesmo, a cura está na ausência de mim mesmo. Questiono-me: Por que muitos de vocês são felizes? Como podem sorrir diante de tamanha desgraça?
Não lembram de como choraram no dia em que chegaram a esta prisão? Como podem rir e rezar? Como podem esquecer que toda a dor, todo o sofrimento e toda a angustia do mundo só és, o que és, porque nasceste para senti-la.
Não consigo entender o homem feliz, talvez eu esteja doente…
Talvez no momento do parto uma assombração tomou conta do meu espirito! Talvez (…) eu seja apenas um maldito que da vida só sente o pior, enquanto tu, sorri para as cores do arco íris.
Já que nasci, e não posso retornar-me ao estado original de minha essência, resta-me o suicídio, a doce solução para esta maldição que me aflige.
– Viva, viva pois a vida é bela, e suicidar-se é um ato covarde
Disse o homem feliz, sorrindo como um moribundo, pulando como um maldito palhaço bêbado! Como podem os felizes serem donos de tamanha crueldade? Como pode alguém ousar tirar de um homem o direito de acabar com as suas dores?
Pergunto-lhes: Negarias tu o remédio da cura a uma enfermidade terrível, a um homem doente? Se não negarias, por que negas a mim o direito da morte?
Forçaram-me a vida, obrigaram-me a nascer! E aqui estou, sozinho em uma prisão vendo o mundo sofrer, sentindo a dor no peito de todas as mazelas da existência. E ainda tens a coragem de dizer que não posso matar a mim mesmo?
Como ousas ofender-me com a sua felicidade e tirar de mim a minha?
Afinal, não dizias Schopenhauer que a única felicidade é a de não nascer? Então deixe-me, deixe-me buscar a felicidade que de mim foi tirada a muito tempo…”
Gerson De Rodrigues
“O Conhecimento me trouxe um fardo, como uma assombração que me persegue por todos os cômodos da casa. Uma criatura negra que suga toda a felicidade que existe em mim afim de me transformar em algo tão sombrio quanto esta própria assombração (…)
Eu me lembro, sim eu me lembro! como se fosse ontem, em meus belos dias de ignorância víu, no auge de minha juventude. Aquele sorriso ao me entreter com a futilidade da vida, aqueles amigos falsos com sorrisos malditos prontos para me apunhalar pelas costas, o calor mentiroso embora aconchegante da religião. Aqueles eram dias felizes, a ignorância me trazia a paz e a felicidade que um homem precisa para viver neste planeta como mais uma formiga trabalhadora.
Mas ela veio até mim, a assombração do conhecimento. Aquela criatura negra e gélida apareceu pela primeira vez em forma de cálculos matemáticos em um livro do Stephen Hawking. E foi neste particular momento que meus olhos abriram-se pela primeira vez, como uma criança que acabou de nascer, e ao olhar para o céu eu não via apenas pontos luminosos eu via mundos inteiros, constelações e galáxias.
Algo tomou conta de mim… era aquela assombração e ela pedia por mais, ela implorava por mais e para que sua sede fosse saciada, caminhei lado a lado com aquela criatura negra até uma biblioteca.
E ao sentar em uma das cadeiras me vi embriagado em pensamentos e reflexões Filosóficas, Nietzsche, Camus, Carl Sagan e o sádico Aleister Crowley. Todos eles agora viviam em mim, o conhecimento agora havia aberto meus olhos para um mundo que sempre esteve ali, mas eu nunca pude vê-lo.
Agora eu estou aqui, sozinho em uma casa velha com as luzes apagadas e uma vela que ilumina um velho caderno, do qual escrevo textos melancólicos sobre a vida. Para que algum dia outros conheçam está assombração.
Ela… Que é a minha melhor amiga.”
Gerson De Rodrigues
“Trecho do Livro Aforismos de um Niilista por Gerson De Rodrigues
O Niilista e a Fé
A Religião vem se tornando cada dia mais irracional, se olharmos para a mesma com uma visão cética e cientifica, em um mundo aonde podemos explicar a origem das espécies e testar teorias a respeito da origem do big bang. A falácia mitológica de ‘’deus’’ vem perdendo cada vez mais espaço no senso comum.
Mas seria este um motivo para perder a FÉ?
Para entender deus e a fé, temos que embarcar diretamente na mente dos religiosos. E entender de uma vez por todas por que eles ignoram as verdades da ciência e se prendem em mitos antigos.
Quando você se apega a uma ‘divindade’ como por exemplo:
A ‘’Nossa Senhora de Aparecida’’ você também se apega em todos seus ditos milagres, caindo assim na crendice popular. A crendice popular dos milagres é um dos mais satisfatórios e realizadores ‘’ lugares’’ aonde se encontra a paz de espirito.
Basta uma simples caminhada em uma catedral religiosa como o exemplo de ‘’ Nossa senhora de aparecida’’ e irá perceber a massiva quantidade de pessoas alegando terem recebido um milagre.
Longas caminhadas a pé, carregar uma cruz nas costas, subir escadas de joelhos ou rezar terços. São alguns dos ‘’ Contratos’’ feitos com a suposta entidade de nossa senhora. Prometendo claro, uma infinidade de milagres que desafiam até então a lógica cientifica.
Aqueles que possuem fé em tal entidade veem a vida como uma viagem otimista para o paraíso, aonde todos os males da mesma podem ser facilmente superados por alguns minutos de oração.
As grandes questões cósmicas e filosóficas que transcendem a mente dos intelectuais niilistas, simplesmente não existem nas mentes vazias dos religiosos garantindo para eles a tão aclamada ‘’ Felicidade’’
Então seria esta a resposta?
Reduzir todas as questões, e mazelas da vida em ‘’ deus’’
A grande questão seria:
Vale a pena viver uma mentira? E viver feliz para sempre. Ou agoniar-se de reflexões na imensidão da realidade?
Confesso que a proposta mística da religião é tentadora e a felicidade parece algo encantador. Mas o meu intelecto não me dá o luxo da ignorância, e sim me proporciona fortes doses de questionamento e ‘sofrimento’ diário.
Muitos podem pensar que os Niilistas são hereges, e sua desesperança perante a ‘’ maravilha da vida’’ é diagnosticada de seu ateísmo e falta de crença em deus. Devo concordar veementemente com estes idiotas, os Niilistas são infelizes por não aceitarem a maior benção concedida a estes macacos, a Ignorância.
A ignorância a respeito da realidade e das descobertas cientificas, a ignorância sobre seu verdadeiro lugar no universo, a ignorância a respeito de si mesmo.
O Niilista é o homem ou a mulher que através de grandes doses de questionamento e estudos chegou a fatídica conclusão filosófica que seu lugar na existência é tão insignificante quanto um grão de areia no oceano.”
Gerson De Rodrigues
“Trecho do Livro Aforismos De Um Niilista por Gerson De Rodrigues
Quando afirmo categoricamente que a vida é a maldição do homem me refiro a enorme abundante carga de sofrimento que ela guarda, trazendo consigo uma bagagem de insignificância que apenas nós meros macacos é capaz de perceber.
Posso começar com um exemplo claro, os ‘’ Animais’’
Os animais vivem suas vidas como se cada segundo valesse a pena. Caçar, correr, brincar, dormir e procriar é algo que eles fazem com esmero e dedicação. Afinal, esta é a única coisa que sabem fazer.
Nós nunca veremos a notícia de um leopardo que olhou para a lua e se questionou como aquela ‘’ Rocha brilhante’’ foi parar ali, ou que algum panda teve depressão ao perceber que sua espécie entrará em extinção.
Os animais não possuem a capacidade de raciocinar/refletir sobre sua própria existência e esta é uma maldição adquirida apenas pelo homem.
Temos a capacidade de questionar, criar, inventar, pensar.
Podemos enviar uma sonda em marte e descobrir como ele originou-se, podemos estudar os confins do Big Bang e descobrir nosso berço cósmico ou deslumbrar-nos da magnanimidade assombrosa de um buraco negro.
Habilidades estas que apena nós meros macacos podemos executar.
A vida é uma maldição…
Pois assim como uma maldição, não se pode viver com ela ignorando os pesares, e nem fugir dela sem abraça-la na morte.”
Gerson De Rodrigues