Gerson De Rodrigues: Citações em tendência
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“O Dia em que eu morri
Hoje fui assombrado por todas as tristezas do mundo, a solidão que era a minha melhor amiga tentou me assassinar, e a melancolia que a muito tempo a aceitei como parte da minha essência, transformou-se em demência e levou-me a loucura.
Gritei por ajuda mas ninguém naquele quarto vazio poderia escutar minhas preces, as janelas transformaram-se em grades de prisões e aos poucos fui consumido pela escuridão que me aprisionou em um asilo de sofrimento e demência…
Demônios terríveis desciam pelas paredes e as vozes em minha mente lembravam-me que a solução para livrar-se da dor era a morte
Por muitos anos eu acreditei que havia superado os monstros e os diabos, e que o meu pacto com a solidão e a melancolia haviam feito de mim um homem livre. Mas a liberdade havia se tornado mais uma ilusão, e o Niilismo que há muito tempo havia me libertado das correntes frias da depressão e dos vícios também havia me traído.
Pois naquele momento de caos e desespero, eu não era um Niilista, tão pouco um professor ou um intelectual. Eu não era ninguém! Não existiam diferenças entre mim e os vermes, eu finalmente havia percebido que era hoje…
Hoje era o dia em que eu morreria, todos temos que morrer um dia certo? Em algum momento os monstros vão sair debaixo da cama e cobrar o pacto que você fez com o diabo, e ele vai sorrir para você e quando o diabo sorri os homens choram
Destranquei a gaveta, e peguei aquela velha pistola que jurei nunca mais ver. Coloquei-a contra a minha boca e atirei…
Há momentos em que a solidão irá te trair e a tristeza tentará te assassinar então clamaremos por socorro e ninguém poderá escutar nossas preces pois a única solução será matar as dores que assombram o seu coração para que nos tornemos estrelas mortas que continuam a brilhar no vazio da escuridão.”
Gerson De Rodrigues
“Alegoria do Suicídio
Eu sei que hoje será o meu último dia na terra, eu decidi isso enquanto caminhava solitário pelas penumbras da noite. Procurei por cada canto daquela vazia avenida, e não encontrei nenhum motivo para existir.
Todos os motivos que eu supostamente haveria de encontrar eram mentiras contadas por mim mesmo afim de prolongar o castigo de viver.
Voltei para casa, peguei aquela velha corda que ficava guardada na segunda gaveta, amarrei-a sobre o teto, e me dependurei sobre a miséria.
Ali estava eu, debatendo-me enquanto sentia o nó daquela velha corda quebrando cada centímetro do meu pescoço, enquanto a minha alma escapava do meu corpo.
Eu me debatia, e meus olhos lacrimejavam-se, talvez, fossem lágrimas de arrependimento. Mas agora já era tarde demais…
Eu morri e minha alma caiu de joelhos diante da figura de um homem, aquele era eu, uma versão mais madura de mim que já havia passado por todos esses momentos de dor e agonia.
Acreditei por alguns segundos, estar diante da morte, pois o meu corpo ainda estava ali dependurado sobre a sala de estar.
Caminhei lado a lado com aquele homem misterioso, que com os dedos apontou para as estrelas e com uma voz suave ele me disse:
- Se algum dia o desejo da morte gritar em seu rosto, não aperte o gatilho! Pense nas estrelas, elas morrem não porque elas querem, e sim porque chegou a hora.
Viver sozinho é como mergulhar no infinito e voar até o céus tocando as nuvens e as estrelas
Estar sozinho é como voltar no tempo e sentir-se novamente uma criança ou um deus a vagar pelo cosmos
Andar sozinho é como viajar até o paraíso acompanhado por anjos ou dançar no inferno acompanhado por diabos
Viver sozinho… é também sentir a navalha cortar seus pulsos enquanto seu sangue jorra em alto mar é sufocar-se nas próprias lágrimas até que o seu pulmão se encha de sangue e a luz dos seus olhos se apague
Sobreviver sozinho é renascer do castigo de existir é limpar o sangue com as próprias mãos é caminhar mesmo quando já não existe mais chão é matar quando não te oferecem perdão é amar a si mesmo por compaixão
É viver sendo o único deus na escuridão…”
Gerson De Rodrigues
“Vocês não escutam os barulhos das correntes!? Não as sentem presa em seus pés!?
Gritava o homem louco em uma praça movimentada, enquanto todos riam de sua barbárie.
Ah… Os homens loucos, não seriam estes os mais sábios dentre os seus? Mas do que adianta a sapiência ou a fúnebre estupidez, quando somos apenas macacos escravos de nossa própria lucidez.
Escravos de sua própria criação, do seu próprio mecanismo. Escravos de uma dor constante, de um medo constante e uma busca pela salvação que faz com que o homem curve-se diante de si mesmo.
Pequenos tolos, pensam estar no centro do palco para brilhar, quando em uma escala cósmica nem um outro ser em nossa insignificante existência iria acreditar.
Eu sempre me pego pensando sobre a vida, enquanto me perco em reflexões filosóficas diante da vastidão do cosmos. E me embriago em questões… - Será que em algum lugar no universo existe outra civilização? Como ela vive? Seria este o caminho que percorremos, o caminho natural a todos os seres? Curvar-se diante de suas próprias correntes!? Beijar as patas imundas de porcos políticos enquanto matamo-nos uns aos outros por ideologias banais!?
Seria o homem um erro do universo?
Aqui está o homem, sentado em sua cela com as chaves nas mãos gritando por liberdade e perdão por um deus que é o resultado de sua própria criação…”
Gerson De Rodrigues