“Que ondas enormes… - exclamou Thomas Buddenbrook.- Repara como se aproximam e rebentam, se aproximam e rebentam, uma atrás da outra, sem fim, sem propósito, mecânica e desordenadamente. E, no entanto, o seu marulhar é tão tranquilizador e reconfortante, como todas as coisas simples e necessárias da vida. Aprendi a gostar cada vez mais do mar… dantes, talvez preferisse as montanhas, porque ficavam mais longe daqui. Agora já não me atraem nada. Creio que apenas sentiria medo e vergonha. É que elas são muito caprichosas, tão irregulares, tão diversas… de certeza que me iria sentir muito pequeno ao pé delas. Que espécie de pessoas serão essas que preferem a monotonia do mar? Tenho a impressão de que são as que observaram por demasiado tempo- e com demasiada profundidade- as teias do seu mundo interior e que a única coisa que exigem agora, pelo menos do mundo exterior, é simplicidade… Não se trata de comparar as escaladas audazes pela montanha com o descanso sereno na areia da praia. Adiferença reside no olhar que se dirige numa e noutra direcção. Olhos seguros, obstinados e felizes, transbordantes de iniciativa, determinação e vitalidade, erram de cume em cume, ao passo que sobre a imensidão do mar- e das ondas que, conduzidas por um fatalismo místico e hipnótico, dançam e volteiam- repousa um olhar sonhador e velado, sábio e desalentado, o olhar de quem já alguma vez espreitou as profundezas e vislumbrou o triste caos da existência… Saúde e doença, é essa a grande diferença. Intrépidos, escalamos a extraordinária diversidade das montanhas denteadas e acidentadas, das alturas que rasgam os céus, a fim de pormos à prova a nossa vitalidade, intacta ainda. Repousamos, contudo, na ampla simplicidadedo mundo exterior, quando estamos cansados do caos que reina no interior.”Thomas Mann livro Os BuddenbrooksBuddenbrooks: The Decline of a Family
“Música e fala - insistia - deveriam andar unidas, eram no fundo, uma e a mesma coisa, a fala era música, a música um modo de falar.”Thomas Mann
“As estrelas não chegamos a cobiçar, a esperança… oh, a esperança tem sido a melhor coisa na vida.”Thomas Mann
“As estrelas, meu Deus! Olha só para estas estrelas – disse repentinamente, com entonação pesada e cantante, uma voz que parecia vir de dentro de um tonel. Já a conhecia. Pertencia a um homem ruivo, vestido com simplicidade, de pálpebras vermelhas e um aspecto úmido e frio, como se acabasse de tomar banho. Fora o vizinho de Tônio Kroeger, durante o jantar na cabina, e havia consumido com hesitação e movimentos modestos, porções espantosas de omelete de lagosta. Agora encostava-se ao lado dele na amura e olhava para o céu segurando o queixo com o polegar e o indicador. Sem dúvida encontrava-se numa dessas disposições extraordinárias e festivas, nas quais as barreiras entre os homens caem, nas quais o coração também se abre para estranhos e a boca diz coisas que em outra ocasião, envergonhada, guardaria para si…”Thomas Mann Tonio Kroeger
“As coisas, os acontecimentos, a felicidade, o amor e o sofrimento restariam frustrados, se se conservassem mudos e a gente se limitasse a saboreá-los e experimentá-los.”Thomas Mann