Gerson De Rodrigues: Citações de morte
Gerson De Rodrigues é poeta, escritor e anarquista Brasileiro. Explore frases interessantes em morte.
Gerson De Rodrigues: 292 citações1156 Curtidas
“O Dia em que eu morri
Hoje fui assombrado por todas as tristezas do mundo, a solidão que era a minha melhor amiga tentou me assassinar, e a melancolia que a muito tempo a aceitei como parte da minha essência, transformou-se em demência e levou-me a loucura.
Gritei por ajuda mas ninguém naquele quarto vazio poderia escutar minhas preces, as janelas transformaram-se em grades de prisões e aos poucos fui consumido pela escuridão que me aprisionou em um asilo de sofrimento e demência…
Demônios terríveis desciam pelas paredes e as vozes em minha mente lembravam-me que a solução para livrar-se da dor era a morte
Por muitos anos eu acreditei que havia superado os monstros e os diabos, e que o meu pacto com a solidão e a melancolia haviam feito de mim um homem livre. Mas a liberdade havia se tornado mais uma ilusão, e o Niilismo que há muito tempo havia me libertado das correntes frias da depressão e dos vícios também havia me traído.
Pois naquele momento de caos e desespero, eu não era um Niilista, tão pouco um professor ou um intelectual. Eu não era ninguém! Não existiam diferenças entre mim e os vermes, eu finalmente havia percebido que era hoje…
Hoje era o dia em que eu morreria, todos temos que morrer um dia certo? Em algum momento os monstros vão sair debaixo da cama e cobrar o pacto que você fez com o diabo, e ele vai sorrir para você e quando o diabo sorri os homens choram
Destranquei a gaveta, e peguei aquela velha pistola que jurei nunca mais ver. Coloquei-a contra a minha boca e atirei…
Há momentos em que a solidão irá te trair e a tristeza tentará te assassinar então clamaremos por socorro e ninguém poderá escutar nossas preces pois a única solução será matar as dores que assombram o seu coração para que nos tornemos estrelas mortas que continuam a brilhar no vazio da escuridão.”
Gerson De Rodrigues
“Alegoria do Suicídio
Eu sei que hoje será o meu último dia na terra, eu decidi isso enquanto caminhava solitário pelas penumbras da noite. Procurei por cada canto daquela vazia avenida, e não encontrei nenhum motivo para existir.
Todos os motivos que eu supostamente haveria de encontrar eram mentiras contadas por mim mesmo afim de prolongar o castigo de viver.
Voltei para casa, peguei aquela velha corda que ficava guardada na segunda gaveta, amarrei-a sobre o teto, e me dependurei sobre a miséria.
Ali estava eu, debatendo-me enquanto sentia o nó daquela velha corda quebrando cada centímetro do meu pescoço, enquanto a minha alma escapava do meu corpo.
Eu me debatia, e meus olhos lacrimejavam-se, talvez, fossem lágrimas de arrependimento. Mas agora já era tarde demais…
Eu morri e minha alma caiu de joelhos diante da figura de um homem, aquele era eu, uma versão mais madura de mim que já havia passado por todos esses momentos de dor e agonia.
Acreditei por alguns segundos, estar diante da morte, pois o meu corpo ainda estava ali dependurado sobre a sala de estar.
Caminhei lado a lado com aquele homem misterioso, que com os dedos apontou para as estrelas e com uma voz suave ele me disse:
- Se algum dia o desejo da morte gritar em seu rosto, não aperte o gatilho! Pense nas estrelas, elas morrem não porque elas querem, e sim porque chegou a hora.
Viver sozinho é como mergulhar no infinito e voar até o céus tocando as nuvens e as estrelas
Estar sozinho é como voltar no tempo e sentir-se novamente uma criança ou um deus a vagar pelo cosmos
Andar sozinho é como viajar até o paraíso acompanhado por anjos ou dançar no inferno acompanhado por diabos
Viver sozinho… é também sentir a navalha cortar seus pulsos enquanto seu sangue jorra em alto mar é sufocar-se nas próprias lágrimas até que o seu pulmão se encha de sangue e a luz dos seus olhos se apague
Sobreviver sozinho é renascer do castigo de existir é limpar o sangue com as próprias mãos é caminhar mesmo quando já não existe mais chão é matar quando não te oferecem perdão é amar a si mesmo por compaixão
É viver sendo o único deus na escuridão…”
Gerson De Rodrigues
“Cristo
O Filósofo Gabriel se apaixonou por uma linda moça chamada Maria. Maria morreu no parto, mas em suas últimas palavras disse-lhe que teriam uma filha que iria trazer aos homens a chave para o conhecimento.
Sua Filha, Jesus, nasceu em uma biblioteca, aonde foi visitada pelos mais renomados Filósofos da época. Sua filha foi educada no mais alto escalão literário e após seus 12 anos, a vemos como uma jovem Poetisa.
Aos dezoito anos, Jesus tornou-se uma renomada Filósofa e então começou a ensinar novos alunos por toda a cidade. Dentre seus ensinamentos, estavam como base a Anarquia e a rebelião a todos sistemas de crenças, e após muita leitura, descobriu que o único deus que ela dobraria os joelhos nesse mundo, seria a mulher que vês diante do espelho.
Jesus fez também muitas coisas boas. Comandou rebeliões contra o governo vigente que os oprimia. Lecionou os mais pobres e até mesmo Publicou livros.
Por fim, seus atos revolucionários foram vistos como uma ameaça a religião e ao estado. E não demorou muito para que as autoridades desejassem sua morte. Jesus Lecionou Filosofia por uns três anos e meio desde então, de modo que aos seus 34 anos de idade foi crucificada em praça publica
Suas últimas palavras são repetidas até hoje
– Amai a ti mesmo como nenhum próximo o fará! E nenhum deus dirá não! Pois não existe deus se não o próprio homem!
Gritava em agonia a jovem mulher pregada na cruz Enquanto os apedeutas gargalhavam como diabos sátiros.”
Gerson De Rodrigues
“O Filósofo & O Prisioneiro - Uma Alegoria para sabedoria da vida
Condenado a pena de morte o Filósofo sentava-se solitário em sua cela, enquanto observava o céu estrelado pela pequena janela que ali havia.
Faltando apenas algumas horas para sua execução, um outro prisioneiro é arremessado em sua cela
– Faltam-te apenas duas horas! E a morte irá beijá-lo! Gritou o guarda enquanto os enjaulava sem piedade
Após levantar-se e limpar suas roupas sujas. O prisioneiro encara aquele velho homem de barbas longas que encontrava-se ali parado, observando atentamente o céu noturno
– O Guarda disse que você só tem duas horas de vida… Como se sente?
Questionou o prisioneiro de forma tímida e preocupada, tentando puxar assunto. Enquanto isso o filósofo seguia em silencio observando o céu estrelado.
O Prisioneiro por sua vez, caminhava de um lado para o outro incansavelmente preocupado
– Para mim, imagino que faltam três ou quatro horas… Droga! Eu mal consegui realizar os meus sonhos… O que você pretende fazer nas suas duas últimas horas?
Persistia o prisioneiro em uma tentativa falha de diálogo, enquanto caminhava de um lado para o outro, preocupado e com o medo da morte começa a remover sua camiseta e amarra-la na parte mais alta da cela
– Quer saber? Pode ficar ai, fingindo que está tudo bem. Eu vou me matar, eu prefiro isso do que ser condenado a cadeira elétrica!
O Filósofo, ao escutar tais palavras sórdidas volta sua atenção a aquela pobre alma.
– Antes de prosseguir com esse ato, poderia por favor vir aqui ver algo?
Disse o filósofo em tonalidade calma e serena
O Prisioneiro indaga – Ver o que? Não há nada que possa nos salvar agora
– Eu insisto, tenho algo a mostrar-te…
O Prisioneiro então caminha até a janela
– Está vendo aquela estrela? A Mais brilhante dentre elas Disse o Filósofo apontando com os dedos para o céu estrelado
– Sim, estou sim, aquela com uma tonalidade meio azulada não é? – Ela mesmo…
O Filósofo encosta-se na parede, e com a voz calma ele diz
– Observe a atentamente, imagine que naquela estrela existe também um planeta
Um planeta tal como o nosso, com heróis e vilões, deuses e homens, sábios e tolos, o quão fascinante não seria? O Quão fascinante não seria estar observando-os agora neste momento oportuno, a algumas horas antes da nossa morte…
O Prisioneiro encantado com tais palavras, observava atentamente aquela estrela, e toda aquela euforia e preocupação que havia em sua mente aos poucos se esvai
O Filósofo então, coloca as mãos nos ombros daquela pobre alma e diz
– Essa estrela, já pode ter se apagado a muito tempo embora ainda estejamos contemplando a sua luz (…) Toda a vida que um dia viveu sobre o calor daquela estrela, hoje se encontra no mais sublime silencio da doce morte que os encontra
Tal como a nossa estrela, que é um ponto luminoso no céu noturno de alguém
Quando morrermos, a luz da nossa estrela servirá como um suspiro de esperança para homens que como nós aguardam o sublime beijo da dona morte.
O Prisioneiro com os olhos cheios de lágrimas e o coração calmo, sorri, e mesmo diante da inevitável morte encontrava-se tranquilo
– Então não temes a morte? Perguntou o Prisioneiro
O Filósofo caminha até a janela, e olhando para o céu noturno com a contemplação filosófica de que a sua morte de nada importava para o universo
Sorrindo ele responde
– A realização de que vou virar pó, paradoxalmente me tranquiliza…”
Gerson De Rodrigues
“Imaginem que um belo diabo caminhe pelo mundo dos sonhos, e em seu subconsciente enquanto dormes na mais doce das noites. Ofereceste a ti, um veneno. Um veneno capaz de apagar por inteiro, todas as suas dores e amarguras, extinguir-se por inteiro sua melancolia e a solidão, apagando por completo! A mais terrível depressão.
Pensarias – ‘’ Se este belo diabo ofereceste a mim alma errante, tamanho presente, por que não aceitar logo assim, de supetão!?’’
No entanto, o belo diabo possuiria um contrato.
Ao beberes deste veneno, condenarás também a vida de todos os seres humanos que vivem sobre a face deste planeta, todo homem, toda mulher, toda criança. Cada alma que caminha por este planeta, se encontrará morta.
Viverias na amargura pelos outros? Ou matarias a todos os homens, por um suspiro de esperança?”
Gerson De Rodrigues
“Paranoia – Metáforas sobre o absurdo de existir.
Me amaldiçoaram, jogaram-me aqui, me puniram com a existência!
Transformaram qualquer oportunidade que a mim seria concebida de ser feliz, em algo que chamam vulgarmente de ‘’vida’’
– Vida? pergunto-me, se o que chamas de vida é este mundo podre cheio de dor e sofrimento do qual somos fadados a viver. Então grito por janelas vazias, Indignado…
MATEM-ME!!!
Que direito achas que tem? Punindo-me desta maneira, escolhendo o meu vulgar futuro, ditando-me regras impostas contra a minha própria lei! O Que eres tu? Um ditador? Curvar-me perante ti não irei. Pois aquele que ousar fazer de mim um servo será considerado meu mais odioso inimigo.
Pais e Mães… Oh criaturas terríveis que nos castigaram com a maldição de existir. Deixem-nos no nada! Deixem-nos no purgatório da não existência! MAS NÃO!! Não… amaldiçoe-nos com a vida…
O Que serias de mim sem a vida? um nada digo eu, pois quero ser o nada e a mim deveria pertencer este direito, o direito de nada ser, de nada escolher, de nada pertencer e de nada a crer.
DEUS!!! Gritam os Apedeutas, DEUS!! Gritam os fiéis
Se és deus o responsável pela vida, não deveríamos nós mata-lo por vingança? Não deveríamos nós sepultá-lo em sua própria tumba de misericórdia?
Por que gritamos a deus por misericórdia e perdão? Não foi este que nos deu todo o mal que imploramos para que nos livrem? Não foi este maldito homem divino que tirou de nós o direito de não nascer, e nos obrigou a viver neste mundo cruel? Como ovelhas prontas ao abate!
Sinto-me amaldiçoado… Sinto-me doente…
E a cura está em mim mesmo, a cura está na ausência de mim mesmo. Questiono-me: Por que muitos de vocês são felizes? Como podem sorrir diante de tamanha desgraça?
Não lembram de como choraram no dia em que chegaram a esta prisão? Como podem rir e rezar? Como podem esquecer que toda a dor, todo o sofrimento e toda a angustia do mundo só és, o que és, porque nasceste para senti-la.
Não consigo entender o homem feliz, talvez eu esteja doente…
Talvez no momento do parto uma assombração tomou conta do meu espirito! Talvez (…) eu seja apenas um maldito que da vida só sente o pior, enquanto tu, sorri para as cores do arco íris.
Já que nasci, e não posso retornar-me ao estado original de minha essência, resta-me o suicídio, a doce solução para esta maldição que me aflige.
– Viva, viva pois a vida é bela, e suicidar-se é um ato covarde
Disse o homem feliz, sorrindo como um moribundo, pulando como um maldito palhaço bêbado! Como podem os felizes serem donos de tamanha crueldade? Como pode alguém ousar tirar de um homem o direito de acabar com as suas dores?
Pergunto-lhes: Negarias tu o remédio da cura a uma enfermidade terrível, a um homem doente? Se não negarias, por que negas a mim o direito da morte?
Forçaram-me a vida, obrigaram-me a nascer! E aqui estou, sozinho em uma prisão vendo o mundo sofrer, sentindo a dor no peito de todas as mazelas da existência. E ainda tens a coragem de dizer que não posso matar a mim mesmo?
Como ousas ofender-me com a sua felicidade e tirar de mim a minha?
Afinal, não dizias Schopenhauer que a única felicidade é a de não nascer? Então deixe-me, deixe-me buscar a felicidade que de mim foi tirada a muito tempo…”
Gerson De Rodrigues
“Trecho do Livro Aforismos De Um Niilista por Gerson De Rodrigues
Quando afirmo categoricamente que a vida é a maldição do homem me refiro a enorme abundante carga de sofrimento que ela guarda, trazendo consigo uma bagagem de insignificância que apenas nós meros macacos é capaz de perceber.
Posso começar com um exemplo claro, os ‘’ Animais’’
Os animais vivem suas vidas como se cada segundo valesse a pena. Caçar, correr, brincar, dormir e procriar é algo que eles fazem com esmero e dedicação. Afinal, esta é a única coisa que sabem fazer.
Nós nunca veremos a notícia de um leopardo que olhou para a lua e se questionou como aquela ‘’ Rocha brilhante’’ foi parar ali, ou que algum panda teve depressão ao perceber que sua espécie entrará em extinção.
Os animais não possuem a capacidade de raciocinar/refletir sobre sua própria existência e esta é uma maldição adquirida apenas pelo homem.
Temos a capacidade de questionar, criar, inventar, pensar.
Podemos enviar uma sonda em marte e descobrir como ele originou-se, podemos estudar os confins do Big Bang e descobrir nosso berço cósmico ou deslumbrar-nos da magnanimidade assombrosa de um buraco negro.
Habilidades estas que apena nós meros macacos podemos executar.
A vida é uma maldição…
Pois assim como uma maldição, não se pode viver com ela ignorando os pesares, e nem fugir dela sem abraça-la na morte.”
Gerson De Rodrigues
“Trecho do livro 'Aforismos de um Niilista'
Quando abracei a solidão me senti livre, pois ali eu poderia ser eu mesmo, sem fingir, sem agradar, apenas sendo eu o monstro que foi jogado injustamente no mundo do qual ele não escolheu viver.
A Cada dia da minha vida, meus sentimentos se esvaem eu já não sinto ódio, ou raiva, amor, ou tristeza, felicidade para mim é uma impossibilidade sinto-me como se estivesse morto.
Todos os dias paro para refletir ‘como isso aconteceu?’
Em que determinado momento da vida eu me tornei um monstro? Um monstro que prefere a solidão a seus pais, um monstro que não sente, um monstro que não chora, um monstro cuja monstruosidade é o seu próprio ser.
Minha última lembrança de felicidade se dá aos meus cinco anos de idade brincando de bonequinhos com a minha mãe, e mais tarde com meu pai – mas em um determinado momento da minha infância eu dei início a metamorfose ambulante que se tornaria futuramente o monstro que sou hoje. Penso se isso está em meu DNA, ou se apenas sou o culpado por tamanha monstruosidade.
Eu afasto de mim amigos, namoradas e amantes, afasto também o amor sincero de meus pais; A Troco de que? A troco de nada! só puro e absoluto nada! O Nada Niilista seguido de uma solidão que apenas agrada a mim mesmo.
Confesso que preferia ter me enforcado no cordão umbilical e morrido no parto. O Puro e simples fato de ser eu mesmo, faz com que aqueles ao meu redor sofram com isso, é como carregar uma maldição da qual a cura é sua própria morte.
Mas fazer o que se sozinho é o que eu sou? Eu sou a solidão, eu sou o homem que caminha por ruas solitárias admirando a imensidão do cosmos. E Isso é tudo que eu sou….
Apenas um sozinho
E não lamento por isso, me orgulho de ser o que sou. Apenas lamento que minha existência possa ferir tantas pessoas pelo simples fato de existir.
Na vida temos duas escolhas, viver como quiser, ou viver para agradar os outros e cada escolha obviamente tem uma consequência.
‘’ Viver para agradar os outros’’ – seria o ato de viver como as pessoas ao seu redor escolhem
‘’ Viver como quiser’’ – é o ato de viver para si mesmo, ser o seu próprio deus, um soldado de Thelema como diria o ocultista Aleister Crowley
‘’ faz o que tu queres há de ser o todo da lei''
Por mais que as minhas escolhas pessoais possam afetar negativamente aqueles que se ‘importam’ comigo – de nada posso fazer pois não vivo para eles, vivo minha própria lei, sou o dono de mim mesmo.
Sinto-me um monstro, mas um monstro livre.
A Monstruosidade não é de todo mal, quem disse que os monstros são maus?
Somos vistos como monstros por aqueles que não entendem nossa humanidade”
Gerson De Rodrigues