“FanatismoMinh'alma, de sonhar-te, anda perdidaMeus olhos andam cegos de te ver!Não és sequer razão de meu viver,Pois que tu és já toda a minha vida!Não vejo nada assim enlouquecida…Passo no mundo, meu Amor, a lerNo misterioso livro do teu serA mesma história tantas vezes lida!Tudo no mundo é frágil, tudo passa…Quando me dizem isto, toda a graçaDuma boca divina fala em mim!E, olhos postos em ti, vivo de rastros:Ah! Podem voar mundos, morrer astros,Que tu és como Deus: princípio e fim!…”Florbela Espanca Livro de Soror Saudade, 1923
“Em tudo eu vejo sempre os antecedentes, as consequências, as razões e as causas: sou como as crianças que desmancham o brinquedo que as entretém só pelo prazer de saber o que está dentro. Apesar do meu tradicional horror às ciências positivas, eu tenho uma grande dose de positivismo e a ciência a que na vida ligo maior importância é a matemática.”Florbela Espanca
“Eu quero amar, amar perdidamente!Amar só por amar: aqui… além…Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente…Amar! Amar! E não amar ninguém![…]Quem disser que se pode amar alguémDurante a vida inteira é porque mente!”Florbela Espanca The Flowering Heath (1931), "Amar!"