“(…) cabe ao artista trazer para a realidade, o espaço que a educação não ensina, dou como exemplo a fabulosa escrita de Jacob e Wilhelm, os irmãos Grimm, a compilação de textos que ainda hoje chega até nós. De início, não eram propriamente textos infantis, pois, na tradição oral alemã, não eram destinadas ao público infantil, mas sim aos adultos. O erro destes irmãos foi o de dedicarem esta compilação apenas às crianças e darem somente a estas o destino dos contos mágico-maravilhosos. Ao contrário de alguns, não vejo a passividade e a sujeição, procuro antes, nestas histórias, as aprendizagens seculares que nos chegam pela monstruosidade dos seres. Tenho em mim a cicatriz da certeza, de que se deveria escrever para adultos como se fossem autênticas crianças, pois essa é a real emancipação do homem.”Carlos Vaz Ibidem Arte
“(…)não acredito na arte pela arte, que vise apenas a fruição e o prazer estético. Podia acabar assim, mas não acabei. Essa arte é vazia, própria do hedonismo que envolve o quotidiano que assassina. A arte atingiu o limite da permissividade, a arte perdeu as fronteiras, tudo é arte, tudo é permitido desde que perca a denúncia, por isso, a arte não pode sonhar, a arte tem de ter pesadelos. O pesadelo é o verdadeiro conteúdo.”Carlos Vaz Ibidem Arte
“A escrita é um corpo puxado pela gravidade, não pela gravidade terrestre, como grande parte dos escritores entendem, e por isso escrevem sempre o real, sobre o real, com o real, escrevem o real do real do real…”Carlos Vaz In Capricho 43, Ed. Labirinto. Literatura