“Quase tudo que é raro, estranho, ilustre, da vaidade procede.Nas paixões a razão nos desampara.A frouxidão no amor é uma ofensa.Quem é muito amado, não é muito amante.”Bocage
“A frouxidão no amor é uma ofensa,Ofensa que se eleva a grau supremo;Paixão requer paixão, fervor e extremo;Com extremo e fervor se recompensa.Vê qual sou, vê qual és, vê que diferença!Eu descoro, eu praguejo, eu ardo, eu gemo;Eu choro, eu desespero, eu clamo, eu tremo;Em sombras a razão se me condensa.Tu só tens gratidão, só tens brandura,E antes que um coração pouco amorosoQuisera ver-te uma alma ingrata e dura.Talvez me enfadaria aspecto iroso,Mas de teu peito a lânguida ternuraTem-me cativo e não me faz ditoso.”Bocage
“Liberdade, onde estás? Quem te demora?Quem faz que o teu influxo em nós não Caia?Porque (triste de mim!) porque não raiaJá na esfera de Lísia a tua aurora?Da santa redenção é vinda a horaA esta parte do mundo que desmaia.Oh! Venha… Oh! Venha, e trémulo descaiaDespotismo feroz, que nos devora!Eia! Acode ao mortal, que, frio e mudo,Oculta o pátrio amor, torce a vontade,E em fingir, por temor, empenha estudo.Movam nossos grilhões tua piedade;Nosso númen tu és, e glória, e tudo,Mãe do génio e prazer, oh Liberdade!”Bocage
“Se amor vive além da morte.Constância eterna hei-de ter;Se amor dura só na vida,Hei-de amar-te até morrer.”Bocage
“Liberdade querida e suspirada,Que o Despotismo acérrimo condena;Liberdade, a meus olhos mais serena,Que o sereno clarão da madrugada!Atende à minha voz, que geme e bradaPor ver-te, por gozar-te a face amena;Liberdade gentil, desterra a penaEm que esta alma infeliz jaz sepultada;Vem, oh deusa imortal, vem, maravilha,Vem, oh consolação da humanidade,Cujo semblante mais que os astros brilha;Vem, solta-me o grilhão da adversidade;Dos céus descende, pois dos Céus és filha,Mãe dos prazeres, doce Liberdade!”Bocage