“Já é quase dia e a lua brilha no lago. Ainda é primavera!”
Anibal Beça
“Doceira na noite a negra sorriu: canteiro de estrelas?”
“A flor do ipê-roxo cai deixando saudades. Ah, a moça da tarde…”
“Tempo de uiaúa: o rio onde os peixes nascem é o mesmo que os mata.”
“Solidão de outubro: folhas varridas no vento levam meu recado.”
“Apenas um gesto e o homem é capaz de vida - reparto o caqui.”
“Morcego em surdina morde e sopra o velho gato. Não contava o pulo…”
“A chuva já vem? Não vem. É o marcador cantando a quadrilha.”
“Maria-fecha-a-porta ao toque do meu dedo: ah plantinha tímida…”
“A cigarra canta o anúncio de sua morte - formigas na contra-dança.”
“Vento de verão vem com bafo de mormaço - garoa ameniza.”
“Varrendo folhas secas lembrei-me do mar distante: chuá de ondas chegando.”
“Teus olhos formam das ázimas lágrimas rios que retornam ao mar”
“Entre o capim seco uma surpresa rajada: ovos de codorna.”
“Broca no bambu deixa furos de flauta. O vento faz música.”
“Na calma do lago um bufo entre a canarana: peixe-boi respira.”
“Jogando a tarrafa caboclo desfaz a lua. Pesca estrelas de escama.”
“Na hora do rush o cheiro do incenso acalma: hare-krishnas dançam.”
“Um pombo no mar traz ao bico verde ramo: terra à vista?”
“Partitura alegre: cai a chuva sobre o charco no ritmo dos sapos.”