Citações

Afonso Henriques de Lima Barreto photo
Esta tradução está aguardando revisão. Está correcto?
Peter Sloterdijk photo
Ney Matogrosso photo

“Eu não dei uma facada pelas costas, dei pela frente…”

Ney Matogrosso (1941) Cantor brasileiro

Ney Matogrosso sobre João Ricardo e o fim do grupo Secos & Molhados ao jornal O Globo, junho de 1993

Mia Couto photo
Elias Canetti photo

“Entre as repreensões que […] tive que ouvir muitas vezes, havia uma que me incomodava: que eu não sabia o que era a vida, estava cego, e nem ‘queria’ mesmo sabê-lo. Que eu usava viseiras, e estava decidido a jamais enxergar sem elas. Que eu sempre procurava aquilo que conhecia dos livros. Seja porque eu me restringia demais a ‘uma’ espécie de livros, seja porque eu tirava deles as conclusões erradas --- toda tentativa de falar comigo sobre as coisas como efetivamente eram estava destinada ao fracasso. “Você quer que ou tudo seja do mais alto padrão moral, ou então que seja o oposto”. A palavra liberdade, que sempre está em sua boca, é uma piada. Não há pessoa menos livre do que você. É-lhe impossível ficar ‘imparcial’ diante de um acontecimento, sem desenrolar diante deles todos os seus preconceitos, até que já não seja visível. Isso não seria tão grave […] se não fosse essa resistência obstinada, essa arrogância, essa determinação firma de deixar tudo como está, sem alterar coisa alguma. Apesar de todas as suas belas palavras, você não tem ideia […] utilidade que uma pessoa tem para as outras. […] Você, o que faz?.” […] Eu tinha a sensação de que, ao tomar conhecimento de coisas reprováveis, eu me tornava cúmplice das mesmas. Eu não queria aprender, quando aprender significava trilhar o mesmo caminho. Eu me defendia do aprendizado ‘imitativo’. Assim que eu percebia que me ‘recomendavam’ alguma coisa, só porque era costume no mundo, eu empacava e, aparentemente, não entendia o que queriam de mim.”

Elias Canetti (1905–1994)

The Torch in My Ear

Esta frase aguardando revisão.
Fernando Pessoa photo

“Das feições de alma que caracterizam o povo português, a mais irritante é, sem dúvida, o seu excesso de disciplina. Somos o povo disciplinado por excelência. Levamos a disciplina social àquele ponto de excesso em que coisa nenhuma, por boa que seja — e eu não creio que a disciplina seja boa — por força que há-de ser prejudicial. Tão regrada, regular e organizada é a vida social portuguesa que mais parece que somos um exército do que uma nação de gente com existências individuais. Nunca o português tem uma ação sua, quebrando com o meio, virando as costas aos vizinhos. Age sempre em grupo, sente sempre em grupo, pensa sempre em grupo. Está sempre à espera dos outros para tudo. E quando, por um milagre de desnacionalização temporária, pratica a traição à Pátria de ter um gesto, um pensamento, ou um sentimento independente, a sua audácia nunca é completa, porque não tira os olhos dos outros, nem a sua atenção da sua crítica. Parecemo-nos muito com os Alemães. Como eles, agimos sempre em grupo, e cada um do grupo porque os outros agem. Por isso aqui, como na Alemanha, nunca é possível determinar responsabilidades; elas são sempre da sexta pessoa num caso onde só agiram cinco. Como os Alemães, nós esperamos sempre pela voz de comando. Como eles, sofremos da doença da Autoridade — acatar criaturas que ninguém sabe porque são acatadas, citar nomes que nenhuma valorização objetiva autentica como citáveis, seguir chefes que nenhum gesto de competência nomeou para as responsabilidades da ação. Como os Alemães, nós compensamos a nossa rígida disciplina fundamental por uma indisciplina superficial, de crianças que brincam à vida. Refilamos só de palavras. Dizemos mal só às escondidas. E somos invejosos, grosseiros e bárbaros, de nosso verdadeiro feitio, porque tais são as qualidades de toda a criatura que a disciplina moeu, em quem a individualidade se atrofiou. Diferimos”

Fernando Pessoa (1888–1935) poeta português

Escritos sobre Política e Sociedade: Obra Completa de Fernando Pessoa VI

Esta frase aguardando revisão.

“⁠Aos que brigaram em defesa de políticos-influencers, talvez ainda seja cedo — cedo demais — para fazer as pazes.




Não porque o rancor seja nobre, mas, porque, ainda não reconhecemos a dimensão do estrago causado pelas paixões emprestadas.


O cheiro medonho de enxofre da polarização já volta a subir, reinventando-se com a mesma esperteza de sempre, à espera de corações inflamáveis, mentes exaustas e sequestráveis.


E no ano que se avizinha, quando o espetáculo reabrir suas cortinas, eles vão precisar muito mais da nossa chama do que da nossa lucidez.


Pois, paixão, quando sequestrada, vira munição nas mãos dos que nunca lutaram realmente por nós.


Talvez defender uma ideia — um posicionamento — sem paixão, seja a arte mais rara e mais corajosa do debate.


Porque, é sim, muito fácil incendiar-se; difícil é manter o fogo no tamanho certo.


É fácil berrar certezas; difícil é defendê-las sem ferir.


Mas há uma escolha ainda muito mais sombria:
Desumanizar quem pensa diferente.


Nada inviabiliza o debate com mais perfeição do que transformar pessoas em inimigos, divergências em crimes e opiniões contrárias em afrontas pessoais.


Quando fazemos isso, deixamos de debater com gente — e passamos a lutar contra caricaturas que nós mesmos pintamos.


No fim, talvez a verdadeira paz não seja aquela feita entre lados irreconciliáveis,
Mas a paz que fazemos conosco:
a de não entregar nossa humanidade ao primeiro que exigir fervor,
a de não perder a lucidez para quem vive de paixões alheias,
a de não permitir que o debate morra pela ausência de coragem
ou pelo excesso de convicções.


Porque não há independência mais urgente e necessária do que a da mente que se recusa a ser incendiada — ou sequestrada e desumanizada — em favor ou desfavor de qualquer bandeira que pintem por aí.”

Esta frase aguardando revisão.

“Às vezes, é bom nos permitir temer os que temem desbravar a nossa Casca de Proteção.

Porque há algo muito inquietante em quem recua diante da simples suspeição da profundidade alheia. 

Não pelo medo em si — afinal, temer é humano — mas pela escolha de permanecer na superfície, onde nada exige entrega, onde tudo é seguro demais para ser verdadeiro. 

Quem teme atravessar a casca do outro, muitas vezes também evita confrontar a própria.

Nossa proteção não nasce por acaso… 

Ela é feita de silêncios acumulados, de experiências que nos ensinaram a medir palavras, de afetos que não vieram quando deveriam. 

Não é apenas defesa: é memória estruturada. 

E desbravá-la exige muito mais do que curiosidade — exige coragem, cuidado e, sobretudo, disposição para lidar com o que pode não ser tão simples.

Por isso, há um certo risco em quem não ousa ir além. 

Não porque sejam perigosos em essência, mas porque podem tentar transformar o outro em algo raso, reduzido, confortável demais para caber na própria limitação. 

E ser reduzido é, de certa forma, uma violência muito sutil: é ter sua complexidade ignorada em nome da conveniência.

Temer essas pessoas, então, não é fraqueza. 

É um instinto que nos lembra do valor daquilo que guardamos. 

É reconhecer que nem todos estão prontos para acessar o que há de mais sensível — e que isso não diminui o que somos, apenas revela onde não devemos insistir.

No fim, permitir-se esse temor é também um gesto de respeito consigo mesmo. 

Porque nem toda presença merece travessia, e nem todo olhar está preparado para enxergar além da superfície. 

E tudo bem. 

Há profundidades que não foram feitas para qualquer um alcançar.”

Andrew Marr photo

“Paz perfeita


Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como a dá o mundo. Não se turbe o vosso coração… v.27


Uma amiga compartilhou comigo que durante anos ela procurou paz e contentamento. Ela e seu marido construíram um negócio bem-sucedido, e compraram uma casa enorme, roupas extravagantes e joias caras. Mas nem esses bens nem suas amizades com pessoas influentes satisfaziam suas aspirações internas de paz. Um dia, quando ela se sentia triste e desesperada, um amigo lhe falou sobre as boas-novas de Jesus. Nele ela encontrou o Príncipe da Paz, e a sua compreensão da verdadeira paz e do contentamento mudou para sempre.

Jesus falou palavras de tal paz aos Seus amigos depois da última ceia juntos (João 14), quando os preparou para os acontecimentos que logo seguiriam: Sua morte, ressurreição e a vinda do Espírito Santo. Descrevendo a paz — diferente de tudo o que o mundo pode dar — Ele queria que eles aprendessem como encontrar a sensação de bem-estar mesmo em meio a dificuldades.

Mais tarde, quando o Jesus ressuscitado apareceu aos discípulos amedrontados após Sua morte, Ele os cumprimentou, dizendo: “Paz seja convosco!” (JOÃO 20:19). Agora Ele poderia dar-lhes, e a nós também, uma nova compreensão do descanso que há nele. Assim, podemos encontrar a percepção da confiança muito mais profunda do que nossos sentimentos sempre em mudança.

Jesus veio trazer paz a nossa vida 
e ao nosso mundo. Amy Boucher Pye”

Albert Camus photo
Thom Yorke photo
Rihanna photo
Milton Friedman photo
Natalie Portman photo
Nelson Piquet photo