Alessandro Teodoro

@ateodoro72, membro de 20 de Fevereiro de 2022

Prefiro preservar o meu direito de não me descrever para não tropeçar no infortúnio de me Enaltecer ou me Limitar.

Esta frase aguardando revisão.
Esta frase aguardando revisão.

“Quando a descuidada Vale do Rio Doce conseguiu tornar imbebível as águas de um rio, do qual quem bebeu jamais esqueceu, eu já suspeitei que ela era muito mal seletiva.


Mas quando ela fingiu indenizar uma parte da população valadarense, fingindo não ter aniquilado o Doce do Rio que também era da outra parte, ela aniquilou também a suspeição.


Há indignações que não nascem apenas do que vemos, mas daquilo que sentimos ser arrancado de todos nós.


Quando a lama tornou imbebível as águas de um rio cuja doçura acompanhou gerações, não foi só o sabor que se perdeu — foi a memória líquida de um povo, sua identidade, sua história escrita em correnteza.


Naquele instante, já não era preciso grande esforço para desconfiar da seletividade de quem, por dever, deveria zelar e reparar.


Mas o espanto maior veio depois, quando o teatro das indenizações começou a escolher rostos e CPFs, a dividir dores, a parcelar perdas como se um rio pudesse ser fatiado em zonas de sofrimento e leiloado por migalhas.


E ali, naquele gesto que soou mais como cálculo do que como cuidado, não foi apenas o Rio Doce que se viu diminuído — foi a própria confiança que secou…


Que foi para a lama.


Porque quando uma parte é acolhida apenas para que a outra seja silenciada, deixa de existir dúvida: o que se aniquila não é só o rio, mas o respeito que deveria correr com e como ele.


No fim, a indignação que sobra é também a que educa.


Ela nos obriga a olhar para além da superfície barrenta e perguntar: que tipo de sociedade permitimos construir?


E que tipo de humanidade ainda queremos salvar do fundo dessa lama contaminada que insiste em não decantar?⁠”

Esta frase aguardando revisão.
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“A Polarização rachou o Brasil no meio, levando seu povo ao ápice da Efervescência Social: metade se vale da música, metade se vale do Santo Nome de Deus — e todos protestam.

Essa “coisa medonha” não apenas dividiu opiniões — ela partiu afetos, rachou mesas de família e transformou a praça pública num coro dissonante. 

O Brasil ferve, e na ebulição cada metade encontrou seu próprio idioma para gritar: uns cantam ou fingem que cantam, outros oram ou fingem que oram.

Uns erguem cartazes ao som de refrões, outros levantam as mãos clamando o Santo Nome de Deus. 

E todos protestam, embora uns nem saibam o porquê… e outros só acham que saibam.

A música vira trincheira, o louvor vira escudo. 

O palco e o púlpito disputam o mesmo espaço simbólico: o de dar sentido ao caos. 

Mas, enquanto cada lado acredita falar em nome do bem maior, o país sangra nas frestas do diálogo que não acontece. 

O grito abafou a escuta; a convicção atropelou a compaixão.

Talvez o problema já não esteja na canção nem na oração, mas na incapacidade de reconhecer que ambas nascem do mesmo desassossego. 

Às vezes há dor nos acordes e às vezes há medo e até arrogância nas preces. 

Mas também há um pouco de esperança em ambos, ainda que deformada pela raiva de não ser ouvido.

Quando a fé vira slogan e a arte vira arma, perde-se o sagrado de ambas. 

Deus não cabe na guerra palavrosa do palanque, e a música não foi feita para silenciar ninguém. 

O Brasil não precisa escolher entre cantar ou ajoelhar — precisa aprender, urgentemente, a caminhar junto.

Porque enquanto metade canta para resistir e a outra ora para vencer, o país segue dividido, protestando contra si mesmo, esquecendo que nenhuma nação se salva quando transforma sua própria alma em campo minado de batalha.

Nós contra eles não dialogam…

Não há diálogo possível entre os cheios de Certezas e os cheios de Dúvidas, ambos se demonizam…

Quando não fazem pior: se desumanizam.

Tropeçamos quase todos nos infortúnios da polarização.”

Esta frase aguardando revisão.

“Talvez um dos fenômenos globais mais proeminentes — e perigosos — da atualidade seja a reinvenção da velha arte de dividir. 

A polarização se atualizou, ganhou verniz tecnológico, novas linguagens e plataformas, só para redescobrir, com atraso, mais do que trágico, o preço da humanidade.

E a lógica do “nós contra eles” nunca foi gratuita. 

Para que ela se sustente, é preciso mais do que slogans e inimigos fabricados: exige mentes disponíveis.

Algumas são alugadas por conveniência, outras vendidas por desespero, ambição ou fé cega. 

No mercado das manipulações, o contrato é raramente lido, mas quase sempre cobrado.

O aluguel se paga com verdades fabricadas, recortadas e maquiadas até parecerem legítimas. 

A compra, essa, exige a medonha moeda corrente: poder, visibilidade, likes, pertencimento, proteção, cargos ou silêncio cúmplice. 

E quanto mais cara a consciência, mais sofisticada a narrativa que a embala.

Não é tão difícil sequestrar uma mente humana. 

Basta oferecer uma certeza confortável, um culpado conveniente e a ilusão de pertencimento. 

Difícil mesmo — quase impossível — é alugar a cabeça da maioria de um povo sem antes comprar algumas. 

São essas poucas cabeças vendidas que legitimam o coro, afinam o discurso e tornam a manipulação socialmente aceitável.

Os inquilinos da manipulação certamente não movimentam somente as moedas simbólicas. 

Narrativas também têm lastro. 

Quando a mentira se sustenta por tempo demais, alguém está financiando sua permanência — seja com dinheiro, seja com influência, seja com o sacrifício deliberado da verdade.

E, no fim, quando tudo parece ruído, polarização e caos espontâneo, resta a constatação mais incômoda: não se trata somente de mentes enganadas. 

Trata-se de consciências negociadas.

Porque enquanto alguns alugam suas cabeças por ignorância transitória, outros as vendem com escritura registrada.

E alguém — invariavelmente — está se vendendo.

Há, porém, uma dobra ainda muito mais sutil nesse tecido: muitas verdades fabricadas deixam de ser só mentiras bem contadas para se tornarem verdades funcionais, dependendo de quem as defenda.

Não é o fato que as sustenta, mas o lugar de onde são proclamadas.

Quando a narrativa vem amparada por carisma, poder, fé ou pertencimento, ela dispensa provas. 

A autoridade simbólica substitui a realidade, e a repetição apaixonada ocupa o espaço onde antes morava a dúvida. 

A mentira, então, não precisa convencer — basta circular.

Mas o mundo apaixonado não percebe isso porque a paixão suspende o pensamento crítico. 

Troca-se a pergunta pelo aplauso, a escuta pela defesa, a busca da verdade pela necessidade de vencer.

A verdade deixa de ser algo a ser descoberto para ser algo sob proteção — mesmo quando é frágil, contraditória ou vazia.

Há conforto nessa entrega. 

Pensar exige risco. 

E pode custar o grupo, a identidade, o rótulo, o abrigo emocional. 

A paixão, ao contrário, oferece chão firme, ainda que falso, e a tranquilidade de não precisar rever nada.

Por isso, verdades fabricadas prosperam melhor em tempos de devoção do que em tempos de reflexão. 

Elas não exigem coerência, exigem lealdade. 

Não mendigam compreensão, mas repetição.

E talvez o mais perturbador não seja que muitos não percebam esse mecanismo — mas que alguns percebam… e ainda assim, escolham permanecer apaixonados, defendendo com fervor aquilo que jamais ousaram examinar.

A polarização é trevosa!”

Esta frase aguardando revisão.
Esta frase aguardando revisão.
Esta frase aguardando revisão.
Esta frase aguardando revisão.

““Moleques meninos” mal alimentados por muitos sim, quase sempre viram esses homens moleques.

Os furiosos que rejeitam todos e quaisquer nãos.

Com tanto sim, atravessado goela abaixo — sim, ao ego, sim, à impunidade, sim, à ideia de que o desejo masculino é prioridade — muitos “moleques meninos” cresceram mal alimentados do essencial: frustração, limite e escuta.

Não aprenderam cedo que o não jamais é afronta, mas fronteira, limite…

Não é humilhação, é linguagem.

Não é convite à fúria, é exercício de humanidade.

Criados à base de concessões e silêncios forçados, confundiram afeto com posse, insistência com direito e desejo com autorização. 

E quando o mundo — especialmente as mulheres — ousa lhes negar algo, reagem como quem teve o prato retirado, não como quem foi chamado à maturidade.

O homem moleque não rejeita só o não: rejeita o espelho que ele oferece. 

Porque todo não bem colocado revela o que falta — e encarar a própria falta exige mais coragem do que gritar, ameaçar ou ferir.

Não, nem é só não, como dizem os muitos que fingem preocupação com as mulheres do nosso país…

Talvez uma das maiores e principais urgências do nosso tempo não seja ensinar mulheres a dizer não, mas ensinar homens a sobreviver a ele.

Porque o não, quando respeitado, educa.

Quando ouvido, humaniza.

E, quando aceito, transforma moleques famintos em homens capazes de conviver — e não de dominar.

Enquanto isso não acontece, o “Não” seguirá sendo resistência.

E a reflexão, uma necessidade inadiável.

Não é humano a aceitação medonha de que mulheres continuem sendo desumanizadas — no Brasil e no mundo — por causa de um “Não”.”

Esta frase aguardando revisão.