„Um homem sentado no meio
da calçada,
sem um dos braços
e cheio de feridas nas
pernas,
me diz mais sobre
a vida
do que qualquer mantra
a respeito de
energias espirituais
e positividade.
Eu e mais uma centena de
pessoas
passamos por ele,
e a questão fundamental
a ser tratada: é quantas
o percebem.
Ele pede ajuda, com o pouco
de voz
que lhe resta,
mas ninguém ouve,
e os que ouvem,
como eu,
fingem que não foi
nada.
Nossas próprias realidades
são mais importantes
do que a de qualquer
outro
e o mundo não é bom,
não de verdade,
não para ele.
Eu me sento em um banco
aleatório
enquanto esse frio que
vem do mar
bate em meu rosto,
e minha vida
continuará a prosseguir,
com minhas pernas,
e meus braços
que funcionam perfeitamente,
mas não ele,
ele ainda está lá,
machucado,
sujo,
largado com fome,
como se fosse
um animal.
O sistema que criamos
deu completamente
errado,
e quanto mais caminho
para vender
esses brigadeiros
pelas ruas de Ipanema,
mais certeza disso
eu tenho.
Um homem morre
aos poucos, bem diante
de nossos
olhos,
mas estamos mais preocupados
em observar os montes
de vitrines que
expõem sonhos
que a maioria de nós
nunca será capaz
de alcançar.
É estranho pensar que todos
nós vamos
para o mesmo lugar,
mas levamos
nossa existência
como se não fossemos,
e isso sem dúvida
é de longe
o nosso erro mais
tenebroso.“

—  Charlie Barkley

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