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História

  • Gerson De Rodrigues criado 1 ano, 11 meses atrás

    Poema – O Grito da solidão ‘’O som do nada É o grito dos mortos Ao serem atormentados pela vida’’ Não amo a solidão Como uma benção dos Deuses Tampouco a odeio Como uma maldição rogada por Diabos Compreendo-a como a dor de mulheres grávidas Que tiveram suas crias arrancadas por Facas finas a sangue frio Enquanto gritavam enlouquecidamente Para serem deixadas em paz Destes gritos de dor e agonia Nasceu a solidão Banhada em Desespero e angustias Rasgando o ventre das almas cansadas; Não lembram de como choraram No dia em que chegaram a esta prisão? Como podem rir e rezar? Como podem esquecer que toda a dor, Todo o sofrimento e toda a angustia do mundo Só és, o que és, porque nasceste para senti-la Ah (…) Os gritos da solidão Atormentam até mesmo as estrelas Que já se apagaram E me enlouquecem todas as noites Enquanto bato com a minha cabeça contra a parede Até que o barulho do crânio se rompendo Soe mais alto do que estes murmúrios do inferno Lunático Com o sangue escorrendo pelos meus olhos Sou afrontado por uma crise de risos Deitado no chão se contorcendo como o Diabo No corpo de Freiras que masturbam-se com o crucifixo Grito mais alto do que mil tambores Mas as vozes nunca se calam! - Calem-se! - Calem-se! (Grito incansavelmente com todo o ar dos meus pulmões) Com os próprios punhos Quebro todos os móveis do quarto Pedaços de vidro se espalham pelo corredor Destes corredores da vida Do qual muitas vezes me vi enforcado Enquanto me socorriam de uma overdose mental Rasgo os meus braços Formando cicatrizes Que nunca vão se realizar A solidão continua gritando E gritando! E Gritando! Abraço as minhas pernas Recluso em um canto escuro Sangrando e tremendo Cantarolando em voz alta Musicas que me fazem lembrar você Doente como um escravo Que grita de fome Enquanto se alimenta das próprias fezes O meu corpo treme com o frio E o sangue na minha roupa é o único abraço Que eu vou sentir Os meus olhos turvos enxergam as estrelas E o meu pulmão cansado de tanto gritar Respira tranquilamente A solidão cansou de gritar Agora escuto os mortos A cantarolarem em seu lugar…

    —  Gerson De Rodrigues

    Fonte: Poesias & Maldições

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