Citações de mundo

Uma coleção de frases e citações sobre o tema da mundo.

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„Se a física nos leva hoje a uma visão de mundo que é essencialmente holística, ela retorna, de certa forma, a seu início, 2.500 anos atrás. É interessante acompanhar a evolução da ciência ocidental
ao longo de seu caminho em espiral, começando com as filosofias místicas dos primeiros gregos, surgindo e desdobrando-se em um impressionante desenvolvimento do pensamento intelectual que cada vez mais se transformou longe de suas origens místicas para desenvolver uma visão de mundo que está em nítido contraste com a de o Extremo Oriente Em seus estágios mais recentes, a ciência ocidental está finalmente superando essa visão e voltando àquelas das primeiras filosofias grega e oriental. Desta vez, no entanto, não se baseia apenas na intuição, mas também em experimentos de grande precisão e sofisticação, e em um formalismo matemático rigoroso e consistente. Os paralelos com a física moderna aparecem não apenas nos Vedas do Hinduísmo, no I Ching ou nos sutras budistas, mas também nos fragmentos de Heráclito, Parmênides, Plotino, filosofia afro-americana, o teologia negativa oriental, no sufismo de Ibn Arabi, no espírito holístico de Giordano Bruno e Meister Eckhart, na monadologia de Leibniz, na Ideia Absoluta de Hegel e Descascar, e. t.

Todas as antigas tradições espirituais sugerem que o mundo é uma unidade e a multiplicidade é apenas aparente. A ciência moderna afirma que o mundo visível da matéria e da multiplicidade é apenas aparente, a realidade é invisível e invisível. Desde caminhos diferentes, o misticismo e o
o racionalismo leva à mesma visão, a visão da totalidade aberta do mundo. O místico
visão da espiritualidade e da mente racional da ciência levando ao pensamento aberto, o
sabedoria de vida. A experiência espiritual de unidade conduz ao mesmo insight que
raciocínio por meio da ciência. Ambos transmitem a percepção da interconexão fundamental entre
nós mesmos, outras pessoas, outras formas de vida, a biosfera e, em última análise, o universo.
Ciência e espiritualidade, longe de serem elementos mutuamente exclusivos e conflitantes, são
parceiros complementares na busca de um caminho que permita à humanidade recuperar sua
unidade com o mundo. A ciência demonstra a necessidade urgente e objetiva dela; e
a espiritualidade testemunha seu valor inerente e suprema desejabilidade. Podemos raciocinar para o nosso unidade no mundo, e podemos experimentar nossa unidade com o mundo. O tempo tem
vêm para fazer as duas coisas, pois são complementares e se reforçam mutuamente.
Apresenta um novo paradigma revolucionário do Pensamento Cósmico que faz a ponte entre
ciência e espiritualidade. Divulga as ramificações da consciência não localizada e como
o mundo físico e a experiência espiritual são dois aspectos do mesmo Cosmos. O que
os cientistas estão descobrindo que nas fronteiras mais externas de cada campo está derrubando todas as premissas concernentes à natureza da matéria e da realidade.“

—  Alexis Karpouzos, livro consciência universal

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„Poema – Vozes e Goétia

‘’ Se todos os meus pensamentos
Fossem revelados ao mundo

Pedófilos, estupradores, e ditadores
Seriam considerados santos
Diante da minha miséria

Ah em mim tanta podridão
Que as lágrimas que escorrem
Dos meus olhos causam náusea aos Deuses’’

- Não ouviram falar do homem louco?
Que arrancou os seus tímpanos com as unhas

E com eles nas mãos em plena manhã
Lançou-se em meio à multidão gritando

– Não estão escutando estes sussurros?
- As janelas batendo ao vento?
- Andem matem uns aos outros e enforquem-se até que
A sua alma pare de gritar!

E lá,
Em meio à praça publica
Enquanto gritava como um lunático

Encontrou homens e mulheres
Prontos para julga-lo

Haviam aqueles que zombavam das suas roupas
Porque eram velhas e surradas

Outros gargalhavam sobre a cor da sua pele
E também haviam aqueles que zombavam do seu cabelo

E como se não bastassem!
Jogavam no homem louco
Frutas podres, pedras e pedaços de pau

Enquanto zombavam também
Da sua sexualidade

O homem louco perdido em meio a multidão
Chorava e gritava para que aqueles que o cercavam
Pudessem ajuda-lo a cessar as vozes na sua cabeça.

- E o que aconteceu com o homem louco?
Deves estar se perguntando!

Naquela mesma noite
Refugiou-se em meio as colinas
Trancafiou-se no mais terrível abismo
E nunca mais foi visto

Mas dizem as lendas
Rogadas por Padres, Poetas e Filósofos

Que o homem louco
Arrancou os seus próprios olhos com uma colher
Para que nunca mais pudesse se olhar no espelho

Então ele ateou fogo em seu cabelo
Para que nunca mais pudessem zombar dele

Dilacerou até mesmo suas genitálias
E rasgou sua pele com as unhas
Para que nenhuma alma
Possa julga-lo novamente

Dizem que até hoje
Ele se arrasta com os seus tímpanos nas mãos
Atrás de almas perdidas como a sua
Implorando para que cessem as vozes na sua mente

Mas as vozes nunca cessaram
Elas sempre estiveram lá

Como uma assombração
Perseguindo-o por todos os cantos

Tal como as vozes
Na sua cabeça…
- Gerson De Rodrigues“

—  Gerson De Rodrigues poeta, escritor e anarquista Brasileiro 1995

Fonte: Filosofia Niilista

Esta frase aguardando revisão.
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„Oscar Wilde certa vez escreveu que “a vida imita a arte muito mais do que a arte imita a vida”. Vamos falar agora de alguns personagens emblemáticos.

“O Homem que Ri” foi publicado originalmente em 1869, sendo o penúltimo trabalho do genial Victor Hugo. A trama se passa na Inglaterra do século XVIII, e a história gira em torno de Gwynplaine, um jovem que em sua infância foi sequestrado por um grupo de criminosos, vendido a uma trupe e submetido a uma terrível mutilação no rosto, dando a impressão de que estaria sempre sorrindo.

“O Fantasma da Ópera” é um romance frances de ficcao gótica de autoria de Gaston Leroux, de 1909, no qual o personagem principal de nome Erik, vivendo escondido nos subterrâneos da Ópera de Paris, além de extremamente culto possui uma voz maravilhosa, porém se esconde do mundo devido a uma grave deformidade na face, que o obriga a utilizar permanentemente uma máscara.

“Joker” (Coringa) é um personagem criado nos anos 40 do século passado pela editora DC Comics. Foi recentemente imortalizado por Joaquim Phoenix no cinema, em uma interpretação magistral. Trata-se de um homem pobre, com sérios problemas psiquiátricos, e que, após uma enorme sucessão de agressões, tragédias pessoais e humilhações sofridas se transforma em um super-vilâo do crime, e célebre arqui-inimigo do Batman, como todo mundo sabe.

Severino de Aracaju é uma criação de Ariano Suassuna em “O Auto da Compadecida”, que é uma peça de teatro em três atos, escrita em 1955; trata-se uma criança sertaneja que, ainda muito nova, vê os pais sendo assassinados por soldados e, crescendo, torna-se um cangaceiro sanguinário.

“Eleanor Rigby” dá nome a uma música tristíssima dos Beatles gravada em 1966. Fala sobre uma mulher profundamente solitária, e que “recolhe o arroz de uma igreja onde houve um casamento, vive em um sonho, espera na janela usando uma máscara que guarda em um jarro ao lado da porta”.

E o que todos esses personagens tem em comum? Todos são discriminados, marginalizados, não-enquadrados ante o fato de carregarem consigo defeitos físicos severos e problemas mentais complexos.

A sociedade não os aceita, não os tolera, não os suporta sob nenhuma hipótese, porque na visão das pessoas são seres indesejáveis, asquerosos, “diferentes”. Porque de uma maneira ou de outra são feios.

E o que são os feios, afinal de contas? Feio é aquilo que não é belo, e o que não é belo se transforma em intolerável. Eu poderia discorrer por horas inteiras sobre o conceito de estética, passando por Platão, Aristóteles, Rosenkranz, Umberto Eco, Dostoievski, Edgar Allan Poe, Baudelaire, Salvador Dali dentre vários outros filósofos, escritores, ensaístas, cientistas, músicos, artistas plásticos etc.

Só que a questão que se coloca agora é outra: vocês já repararam que atualmente, em pleno isolamento social decorrente da pandemia do COVID-19, nós é que usamos máscaras e estamos vivendo escondidos, acuados e com medo? Nós estamos física e metaforicamente feios; estamos com os cabelos descuidados, com as unhas mal feitas, com pouco dinheiro, com as nossas casas desarrumadas, com os nossos medos e melancolias aflorando como cogumelos – nós estamos com a peste, com a moléstia. Somos os leprosos, os lazarentos, os errantes, os deformados que nos entreolhamos assustados no mercado, na farmácia, nas varandas, sempre imaginando quem será o malfeitor que nos contaminará com o coronavírus.

A maioria de nós hoje experimenta a exclusão, a rejeição, e não adianta a gente assistir a essas múltiplas propagandas de TV com mensagens otimistas, de um sol que nascerá brilhando para todos, porque isso não é verdade. Somos e estamos em meio ao bizarro.

E é por essas e outras constatações que talvez a sociedade não saia melhor ou mais evoluída filosoficamente ou espiritualmente depois disso tudo.

Eu reconheço, é verdade, que a pandemia já está desnudando os fanfarrões, os casamentos de fachada, as enormes diferenças familiares que durante anos foram empurradas para debaixo dos tapetes, mas por outro lado vem revelando o lado bom e solidário de muita gente, além de um processo importante de autoconhecimento.

Só que daí a acreditar que quando tudo isso acabar as pessoas estarão mais complacentes, mais compreensivas, mais benevolentes é uma possibilidade arriscada; quem sabe até uma enorme utopia.

Temos que nos preparar para a intensificação dos muitos preconceitos existentes entre os diferentes grupos sociais, para a continuidade do processo de marginalização daqueles que normalmente já são excluídos, para diversos setores de uma economia que precisarão novamente avançar e que talvez não remem na mesma direção e, sobretudo, para relações geopolíticas tanto em âmbito internacional quanto interno, ainda mais frívolas, eu diria até mesmo tensas.

Excetuando-se a tecnologia, a pesquisa e o desenvolvimento, a História já nos ensinou que o mundo não ficou mais legalzinho, mais bonzinho, nem mesmo após revoluções sangrentas e genocidas, guerras mundiais, crises econômicas ou pandemias.

Voltaremos todos nós esperançosos, porém ressabiados, inseguros, e teremos que nos reinventar em múltiplos aspectos.

Gwynplaine continuará com o seu sorriso falsamente forjado enquanto carrega um profundo sofrimento na alma; Erik permanecerá vagando pelos corredores gélidos dos calabouços da ópera; o Coringa, cada vez mais louco, enfrentará diariamente o homem-morcego pelas ruas de Gotham City; Severino de Aracaju vai aterrorizar por muitos anos os piores pesadelos dos sertanejos no nordeste brasileiro; e a Eleanor Rigby, sempre solitária e invisível, recolherá ainda muitos grãos de arroz na escadaria da igreja.“

—  Andre Rodrigues Costa Oliveira 1973

Esta frase aguardando revisão.
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„Sim, meus leitores: não foi a Humanidade quem inventou a Poesia, num arroubo de extrema criatividade. A Poesia, em verdade, foi quem inventou a própria Humanidade.


Como definimos a “humanidade”?


Ao abstrairmos os conceitos meramente antropológicos e científicos/biológicos do termo, a Humanidade pode ser definida como aquilo tudo que nos faz – tanto quanto a capacidade de adaptação ao meio e a transmissão do conhecimento aos semelhantes e aos descendentes – sentir amor, compaixão, indulgência, benevolência, clemência, fraternidade, respeito e necessidade de buscar Justiça, com imprescindíveis ética e bom senso.


Kant (1724-1804) já relacionava o conceito de Humanidade não apenas à natureza humana propriamente dita, mas à racionalidade humana, no que foi diretamente confrontado na obra de Schopenhauer (1788-1860) que, em sua instigante opinião, seres racionais e simultaneamente “não-humanos” são imaginários. Só que isso é uma discussão para outro dia.


Ainda que divergentes - e em determinado ponto crucial - ambos os filósofos concordavam harmoniosamente: “Menschheit” equivale à essência de nossa natureza, à solicitude pelo nosso semelhante, a Paideia dos gregos em conceito mais contemporâneo, como formação e aperfeiçoamento dos seres humanos por toda uma vida, a fim de fomentar uma sociedade de homens decentes.


É partindo desse ponto que agora falaremos sobre a poesia.


Posso definir “poesia” como a composição por meio de versos, rimados ou não, com estruturas peculiares. Ou dizer que “poesia” se restringe a uma literatura que obedece a determinadas regras rítmicas. Ou ainda dissertar sobre os dísticos, sonetos, odes, líricos, épicos e dramas que existem por aí perambulando pelos conteúdos programáticos de colégios para adolescentes.


Só que a poesia não é bem isso. Isso aliás, é apenas e tão-somente o envelope bolorento no qual estão guardados os mais lindos sentimentos. Porque a poesia é forma mais sensacional de enxergar o mundo em que vivemos.


Mais antiga do que a própria escrita, expressa a paixão, a fé, a alegria e a dor, tanto as de quem compõe a poesia quanto as de quem tem o privilégio de desfrutar da poesia. Subverte a linguagem comum. Transcende aquilo que é palpável, ordinário. Alimenta o que não se alimenta pelas nossas bocas.


A palavra “poesia” tem origem grega, que sugere verbos tais como “criar” e “fazer”. O próprio Aristóteles chegou a elencar as atividades dos seres humanos entre Teoria (busca constante pelo conhecimento verdadeiro), Práxis (ações com o escopo de resolução de problemas) e Poiésis (o estímulo de nossos espíritos para a invenção partindo-se de imaginação e sentimentos).


Fica claro então que, na visão de Aristóteles, a poesia nos leva à máxima plenitude da alma humana, inspirada e comovente. Aristóteles estava absolutamente certo.


E o que seria a “humanidade” sem a nossa competência para perceber a vida com os olhos marejados, com a emoção sublime da mesclagem dos milhões de sentimentos que nos movem e que nos colocam no topo do planeta? E o que seria da humanidade se não possuíssemos o privilégio (muitas vezes dolorido, embora arrebatador e pedagógico) de nos apaixonarmos e de que tamanha força e energia fosse por nós mesmos modelada na poesia?

A poesia é a arte que se encontra na essência de todas as chamadas Sete Grandes Artes. Afinal, existe poesia na Arquitetura de Le Corbusier e de Oscar Niemeyer; existe poesia na Escultura de Michelangelo e de Camille; existe poesia na Pintura de Da Vinci e de Picasso; existe poesia na Música de Mozart e de Chiquita; existe poesia na Literatura de Milton e de Machado; existe poesia na Dança de Nureyev e de Michael Jackson; existe poesia no Cinema de Fellini e de Tarantino.


Todavia, lamentavelmente - como não bastasse isso tudo - há ainda quem me diga que “poesia não serve para nada”. E que “poesia é bobagem”. E que “poesia é frescura”.

Antes de continuarmos, recadinho do Paulo Leminsky (1944-1989):


“As pessoas sem imaginação estão sempre querendo que a arte sirva para alguma coisa. Servir. Prestar. O serviço militar. Dar lucro. Não enxergam que a arte é a única chance que o homem tem de vivenciar a experiência de um mundo da liberdade, além da necessidade. As utopias, afinal de contas, são, sobretudo, obras de arte. E obras de arte são rebeldias. A rebeldia é um bem absoluto. Sua manifestação na linguagem chamamos poesia, inestimável inutensílio.”


Pois bem: como eu já lhes disse logo no início: a Poesia inventou a Humanidade. Poesia é eterna. Poesia é vida. Simples assim.


Sabe-se que a poesia existe há mais de 7.000 anos, seja como arte, seja como forma de interação cultural ou transmissão de tradições entre os povos.


Não há como discutir cultura grega sem a poesia de Homero, enaltecendo os feitos de Ulisses na Ilíada e na Odisseia. Não podemos sequer estudar a filosofia oriental de Confúcio, Sun-Tsu ou Lao-Tse sem nos deslumbrarmos com a caligrafia chinesa (que começou há cerca de 6.000 “poucos” anos!!!), verdadeiro espetáculo visual e linguístico. Não nos olvidemos do Ramayana, imprescindível obra literária da Índia antiga, em sânscrito, com fortíssimo impacto na cultura asiática com seus 24.000 versos e seus 7 cantos. Não façamos pouco caso de La Chanson de Roland, poema épico composto no século XI em francês antigo, tendo grande influência na Idade Média quando narra a campanha militar de Carlos Magno, Rei dos Francos, no século VIII (d. C) contra os sarracenos. Não desmereçamos Das Nibelungenlied, outro poema épico germânico escrito por volta do ano 1.200 d. C., abrangendo lendas e antigas tradições orais pré-cristãs e que ainda perduram, influenciando até mesmo correntes filosóficas modernas. Não há como não compreender a Península Ibérica desconsiderando El Cantar del Mio Cid, poema espanhol passado de geração a geração, cantado por menestréis durante séculos inteiros e que conta a história de Rodrigo Díaz de Vivar (1043-1099), nobre guerreiro castelhano e oficialmente transcrito no século XIV. E, por fim, não existe entendimento sobre as maravilhosas sagas portuguesas sem Camões e a melancolia de Pessoa.


Se não for pela importância histórica, pelo menos pela idade avançada a poesia já merece um maior respeito.


Posto isso, eu afirmo que aqueles que não se emocionam com poesia, muito provavelmente não se emocionam com absolutamente nada. Nem mesmo com aromas e sabores da cozinha, que também são poesia (vide a deliciosa música de Dorival Caymmi, por exemplo, que nos excita, instiga os sentidos e nos faz voar para longe). Nem na Teoria da Evolução de Darwin. Nem na física de Newton. Nem no Cântico dos Cânticos, do Antigo Testamento.


Outra hipótese que eventualmente pode vir a justificar tamanho descaso pela poesia é a moda do que chamo de “novo parnasianismo”.


Como é sabido, Parnasianismo consiste em movimento literário típico da segunda metade do século XIX e fortemente influenciado pela cultura greco-latina. Desprezando o Romantismo, exalta o conceito de “arte pela arte”, com extremo rigorismo estético e preocupação com a técnica.


A intensa e excessiva preocupação de muitos autores contemporâneos com aspectos formais - e apenas formais - exclui da poesia a sua melhor essência e o espírito mais nobre. Nesse caso, o leitor não abandona a poesia; a poesia abandona o leitor, enquanto peça meramente estética e desapaixonada.


E é graças a essas pessoas (maus leitores e maus poetas) que a história da poesia talvez seja uma história trágica.


Verdadeiros autores iluminados, em todos os tempos – com raros casos excepcionais – e, muito embora, autênticos e criativos pereceram sem o necessário reconhecimento, enquanto os louros foram repartidos aos indignos.


E o tempo passa, e a gente forma gerações com espantosa incapacidade de discernimento de expressão de sentimentos; frias, imaturas, desfolhadas. Inodoras, incolores e insípidas.


Digo, finamente, que


“somente a Arte, esculpindo a humana mágoa,

Abranda as rochas rígidas, torna água

Todo o fogo telúrico profundo

E reduz, sem que, entanto, a desintegre,

À condição de uma planície alegre,

A aspereza orográfica do mundo!”

(Trecho do poema Monólogo de uma Sombra, Augusto dos Anjos, 1884-1914)


E um brinde à poesia.“

—  Andre Rodrigues Costa Oliveira 1973

Esta tradução está aguardando revisão. Está correcto?
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„Meu Fracasso Retumbante


Ela hostiliza a mim e ao meu trabalho, minhas madrugadas entre a biblioteca e a sala principal do escritório - devo estar pecando mortalmente em ficar até mais tarde entre os meus livros e as minhas vãs filosofias.

Briga porque não assisto a novela - e ainda porque desconheço os personagens na Gloria Pérez, inverossímeis e estranhos.

Aperreia-se diante de meu desconhecimento sobre o “Big Brother” desse ano. Acha errado eu não ter votado em alguém. Acha um absurdo eu não conhecer de cor todos os participantes.

Dorme inconformada quando eu não abro as mensagens que a própria me envia, excitada, exaltada, quase que gozando sobre as estrelas do cinema que se separaram, e as que morreram, sucumbiram, e também aquelas que estão reclusas, dependentes de anfetaminas e de outras coisas bem piores.

E acorda ao meio dia, mais inconformada ainda, já que eu tive que sair da cama muito cedo, tomar o meu banho, fazer minha barba e esconder-me por dentro de terno e gravata (ferramentas de trabalho imprescindíveis), travestido de alguém que necessita labutar bastante.

Ela me ofende em todas as vezes nas quais eu refuto a literatura espírita ou de auto-ajuda - porque digo que não são literatura; ela desconhece Kant, desconhece Nietzche, desconhece obras inacabadas dos que foram muito fodas e que nos deixaram cedo. Livros que estão aqui em casa, nas estantes da biblioteca. Gratuitos e plenamente acessíveis.

Mas ainda assim eu digo que lhe compreendo mesmo desse jeito, uma vez que não existe obrigação alguma de embriagar-se por dentre os meus grandes “clássicos”, nem mesmo de escutar as músicas que eu escuto ou assistir os filmes que tanto amo do Fellini ou do Almodóvar. Só que ela, muito ao contrário, me “descompreende” de maneira aviltante e ofensiva, e me alcunha de desordenado, de improdutivo e de desinformado (!).

Ela não percebe que o amor verdadeiro tende a rarear quando a admiração se esvazia; quando ela tenta, sem sucesso, encaixar-me na moldura de seu mundo, em vez de modelar um mundo totalmente novo, de informações que se completem e que nos por abarquem inteiros, “de conchinha”. E, ainda que eu lhe bendiga o melhor de tudo o que existe, permaneço triste. Sua companhia me faz falta.

Ela é a prova viva de que gentileza não atrai a gentileza.

E eu sou o egoísmo e a covardia em estado puro. Eu preciso alforria-la de minha presença alienígena, desagradável, para que encontre alguém que lhe idolatre como eu já fiz em idos tempos, engajado nos padrões nos quais, definitivamente, eu infelizmente não me encaixo.

Seja então inteiramente livre, minha amiga linda!!!
Pois que a sua liberdade me libertará de insuportável melancolia, e transformará você em regozijo puro. Eu aceitarei o “pé na bunda” com estoicismo; a alcunha de fracote, ou de fracassado incompetente, ou até do idiota lá de Dostoiévski. E aceitarei os xingamentos com o coração tranquilo. Despojado dessa culpa enorme de não lhe fazer sentir mais alegria.“

—  AndreRodriguesCostaOliveira

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